
O diretor Mark Flanagan, é responsável por dois filmes do gênero de terror e suspense que eu tenho como os meus preferidos dentre vários, que são “Doutor Sono” e “Hush: A Morte Ouve”. Ele também fez algumas das séries mais elogiadas da Netflix, “A Maldição da Residência Hill” e recentemente “A Missa da Meia Noite”.
Na trama, Doris (Lulu Wilso) é uma garotinha solitária e pouco popular na escola. Sua mãe é especialista em aplicar golpes em clientes, fingindo se comunicar com espíritos. Mas quando Doris usa um tabuleiro de Ouija para se comunicar com o falecido pai, acaba liberando uma série de seres malignos que se apoderam de seu corpo e ameaçam todos ao redor.
A introdução dessa análise relembrando alguns trabalhos do cineasta não é por acaso, já que “Ouija: A Origem do Mal” inicia com uma premissa interessante — assim como seus outros trabalhos — e com uma narrativa mais lenta e que trabalha muito bem o drama de seus personagens, mostrando que da para contar uma história de terror que seja um pouco mais original e de bom gosto.
Infelizmente a visão sofisticada do diretor está presente apenas no primeiro ato, já que tudo descamba para exageros típicos do gênero — eu me senti como se tivesse vendo um outro filme — nada do que acontece no final parece fazer parte do que foi apresentado no início, existe um problema de tom gritante nos minutos finais do longa – que vão desde o efeito sonoro de uma voz de possessão irritante, diálogos expositivos e uma necessidade gritante de causar medo e sustos à todo instante.
Ora, eu não tenho nenhum problema com filmes de terror que tenham elementos clássicos do gênero, mas acontece que a falha de Mark Flanagan foi enganar o espectador com uma história bem construída, com um clima de mistério crescente, para depois se entregar a previsibilidade, que não faz parte de sua carreira, ele sabe fazer muito melhor do que isso.
“Ouija: A Origem do Mal” desperdiça a sua premissa interessante que renderia várias sessões com o jogo Ouija com diferentes personagens jogando e sendo atormentados pelos espíritos, para apostar apenas numa única possessão que guia todo o resto da trama. Com esse rumo que a história ganha, o longa se aproxima muito mais de uma cópia menos inspirada de “O Exorcista” do que um filme bem feito sobre o jogo de tabuleiro, que provavelmente renderia momentos muito mais assustadores, ou quem sabe divertidos?
Confira o trailer:
⭐️⭐️ – Regular
🎥 Filme: Ouija: A Origem do Mal (Ouija: Origin of Evil)
🔴 Disponível em: Netflix
Direção: Mark Flanagan
2016 ‧ Terror/Thriller ‧ 1h 39m
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