Indicado ao Oscar, “Entre Mulheres” explora o sofrimento através de diálogos

O longa “Entre Mulheres”, indicado ao Oscar de Melhor Filme é baseado em um livro homônimo de Miriam Toews. Para falar sobre misoginia, dores e lutas femininas quem assume a direção é uma mulher, a cineasta Sarah Polley — e faz todo sentido, porque ela entende muito bem desse universo repressivo contra as mulheres.

Se você gosta da série “The Handmaid’s Tale”, certamente irá apreciar este trabalho que em apenas 1 hora e 45 minutos consegue transpor em tela a essência da série.

O longa reúne poderosas atuações das atrizes Claire Foy (“The Crown”), Jessie Buckley (“Men”), Rooney Mara (“O Beco do Pesadelo”), Frances McDormand (“Três Anúncios Para Um Crime”), e muitas outras.

Além dessa escalação primorosa de atrizes, o ator Ben Whishaw (“007 – Operação Skyfall”) se destaca em seu papel contido que progressivamente começa demonstrar dores internas das quais desconhecemos.

A premissa segue um grupo de mulheres em uma colônia isolada lutando para se reconciliar com sua fé após uma série de agressões.

É uma história atemporal, então naturalmente você irá se conectar de alguma forma, mesmo que o contexto não seja necessariamente próximo da sua realidade. Mas é uma realidade de muitas mulheres nos dias de hoje.

O interessante é que o roteiro e a direção tem consciência do peso dramático que tem em mãos, mas nunca se deixam levar apenas pelo fator manipulativo de suas emoções. No meio de tantos pesares, existe até momentos de leveza, sejam em pequenas frases ou numa cena que você irá levar um susto, mas em seguida será surpreendido positivamente.

“Entre Mulheres” é um longa que trabalha muito com diálogos, mesmo se tratando de uma adaptação literária, você terá a sensação de estar acompanhando uma peça teatral porque todas personagens passam a maior parte do tempo dentro de um celeiro discutindo sobre decisões que terão que tomar.

Diferente de longas que apostam no sofrimento durante boa parte da narrativa, o longa de Sarah Polley não necessita dessa exposição à todo custo, porque a base da história é eficiente para colocarmos num ambiente que mesmo sem choros ou cenas explícitas de violência, será fácil lembrarmos porque aquelas mulheres estão sofrendo por dentro.

Essa sutileza talvez afaste algumas pessoas. Mas para aqueles que se conectarem com a história dessas mulheres, não faltarão reflexões sobre como vivemos em um mundo desigual do qual nem mesmo as mulheres tem licença e liberdade para serem quem são, e isso é o que mais choca em “Entre Mulheres”.

Confira o trailer:

🎥 Filme: Entre Mulheres (Women Talking)
🟡 Em exibição nos cinemas
Direção: Sarah Polley
2022 ‧ Drama ‧ 1h 44m

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