
Poucas vezes dou cinco estrelas para uma obra, mas Meu Pai reúne todos os acertos que um filme precisa ter para ser considerado excelente.
O longa é um drama intenso que nos coloca na pele de um personagem que sofre de demência, vivido de forma brilhante pelo magnífico Anthony Hopkins. Na trama, Anthony — que leva o mesmo nome do ator — é um idoso que recusa a ajuda da filha (Olivia Colman), que está prestes a se mudar para Paris e precisa garantir os cuidados do pai enquanto estiver fora. Na tentativa de compreender as mudanças ao seu redor, ele começa a duvidar da filha, da própria memória e, aos poucos, da própria realidade.
O filme arrisca ao contar a história pela perspectiva de Anthony, e é justamente isso que o torna tão potente. À medida que ele se confunde sobre os acontecimentos e as pessoas ao seu redor, o espectador compartilha dessa mesma sensação de incerteza, angústia e medo.
A direção de Florian Zeller é admirável. Em mãos menos sensíveis, a trama poderia facilmente escorregar para o melodrama, mas aqui tudo é conduzido com delicadeza — ainda que a situação evolua para um desespero crescente.
Em nenhum momento o longa apela para uma dramatização forçada. Tudo o que acompanhamos da trajetória de Anthony é profundamente verossímil, especialmente para quem já teve contato com alguém que sofre de demência.
Anthony Hopkins entrega uma atuação monumental. Se antes seu papel mais consagrado era o de Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, após este filme, muitos certamente reconsiderarão. Ele foi merecidamente premiado com o Oscar de Melhor Ator por sua performance, e o longa recebeu outras seis indicações.
Mas reduzir a grandeza de Meu Pai apenas aos prêmios seria injusto. Esta é uma obra-prima sobre memória, identidade e fragilidade humana — daquelas que permanecem com a gente muito depois dos créditos finais.
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ – Excelente
🎥 Filme: Meu Pai (The Father)
🔵 Disponível em: Paramount Plus e Net Now
Direção: Florian Zeller
2020 ‧ Drama ‧ 1h 37m