
“Matrix Resurrections” vem para provar que a fala Quentin Tarantino sobre as sequências dessa franquia só conseguiram arruinar a mitologia.
Lana Wachowski faz um filme autoindulgente e com ‘fan-service’ mascarado como crítica.
Na trama, Neo (Keanu Reeves) vive uma vida comum sob sua identidade como Thomas A. Anderson em São Francisco com um terapeuta que lhe prescreve pílulas azuis para neutralizar as coisas estranhas que ele vislumbra em sua mente. Ele também conhece uma mulher que parece ser Trinity (Carrie Anne-Moss), mas nenhum deles se reconhece. No entanto, quando uma nova versão de Morpheus (Yahya Abdul-Mateen) oferece a ele a pílula vermelha e reabre sua mente para o mundo da Matrix, Neo volta a se juntar a um grupo de rebeldes para lutar contra um novo e mais perigoso inimigo e livrar todos da Matrix novamente.
Diferente da franquia “Pânico” que sempre usou a metalinguagem ao seu favor, “Matrix Resurrections” tenta fazer o mesmo — porém sem sucesso — e se apoia em memórias afetivas do início ao fim.
Enquanto no ‘requel’ recente da franquia de terror as referências e o fator nostálgico se apoiavam na trama principal, no longa de ficção científica acompanhamos de maneira fatigante um resumo de tudo o que foi apresentado anteriormente.
É tão custosa a experiência — especialmente pelos desnecessários flashbacks — que eles não poupam sutilezas.
Tudo é bem justificado pelo próprio game da “Matrix” que foi desenvolvido pelo Neo.
Mas justificativas são meras conveniências narrativas quando fica explícita a falta de inspiração para se manter relevante.
Fica ainda mais nítido na cena pós crédito quando se tenta numa explicativa simplória justificar a existência filmes menos complexos.
Ao contrário do novo longa, o original se tornou relevante por abordar questões filosóficas e temas importantes.
“Matrix” nunca teria se tornado um fenômeno por causa de “bullet time” e cenas grandiosas de ação.
⭐️⭐️ – Regular
🎥 Filme: Matrix Resurrections (The Matrix Resurrections)
🟣 Disponível em: HBO Max
Direção: Lana Wachowski
2021 ‧ Ação ‧ 2h 28m