
“The Batman” é o filme mais sombrio do Homem-Morcego, até mais obscuro que a visão de Zack Snyder e de Tim Burton, especialmente em “Batman Returns” que explorou uma Gotham City nevosa e sombria em época de Natal.
Na trama, em uma de suas investigações, Bruce (Robert Pattinson) acaba envolvendo o Comissário Gordon (Jeffrey Wright). Em um jogo de gato e rato ao investigar uma série de maquinações sádicas e uma trilha de pistas enigmáticas, acaba revelando que Charada (Paul Dano) estava por trás disso tudo. Porém, a investigação o leva a descobrir uma onda de corrupção que envolve o nome de sua família. Conforme as evidências começam a chegar mais perto de casa, Batman deve desmascarar o culpado e fazer justiça.
Matt Reeves cria uma Gotham extremamente escura e chuvosa, ele entende a cidade assim como Tim Burton (“Batman Returns”), diferente de Christopher Nolan — embora tenha a melhor trilogia do herói —, que usava locais como Chicago e Nova York e apenas dava o nome de Gotham City, sem ao menos explorar o lado sombrio da cidade (seja por um tempo nevoso ou chuvoso) como foi estabelecido com êxito anteriormente por Tim Burton.
Um dos grandes acertos de Matt Reeves foi a escolha de filmar as cenas em Glasgow, na Escócia, as arquiteturas medievais e góticas foram perfeitas para criar uma atmosfera que faz todo o sentido para a jornada do cavaleiro das trevas.
Em “Batman vs Superman“ era nítido a mão pesada do diretor e a fotografia obscura que tornava a jornada do cavaleiro das trevas um fardo a ser carregado, em “The Batman” não é diferente nesse aspecto, o que eu considero um grande acerto para um filme do Homem-Morcego. Entretanto, em alguns momentos eu acho que o diretor excede e deixa tudo carregado demais, mas é compreensível essa impressão pela experiência de três horas de duração, e faz todo sentido a escolha obscura se tratando de um thriller noir.

Na introdução já sabemos que se trata de um thriller criminal de investigação policial, aqui o detetive é o próprio Homem-Morcego. Quem não sabe que nos quadrinhos o vigilante noturno costuma investigar os crimes da cidade, pode estranhar essa nova visão do diretor no universo cinematográfico. Mas esse é um dos méritos de “The Batman” que optou por algo que anteriormente era esquecido pelos outros roteiristas e diretores.
Esse mistério muito bem conduzido não é algo inédito e as fontes são claras, o próprio Matt Reeves confessou ter se inspirado em filmes como “Seven – Os Sete Crimes Capitais” e “Zodíaco”.
As referências ao thriller “Seven – Os Sete Crimes Capitais” estão presentes em praticamente todas as cenas, desde as investigações que eram feitas pelo Detetive William (Morgan Freeman) e David Mills (Brad Pitt), que agora em “The Batman” ficam por conta de Jim Gordon (Jeffrey Wright) e o Batman (Robert Pattinson). A fotografia também remete muito ao filme de David Fincher, confira algumas semelhanças:
Esse tributo direto ao filme de David Fincher funciona especialmente pela participação do vilão Charada (interpretado brilhantemente por Paul Dano), que ganhou nesse filme uma roupagem totalmente nova, mais sombria e realista. O antagonista cria um jogo psicológico com o Batman que vai testar todos os limites do vigilante noturno. Em uma das cenas finais quando ele encontra o vilão e fica de frente com ele, temos um dos embates mais incríveis da franquia de filmes do herói, muito próximo da tensão que já vimos anteriormente no interrogatório do Batman e o Coringa em “O Cavaleiro das Trevas“.
Embora algumas semelhanças com outros filmes da franquia existam, isso não torna esse reinicio uma reprise do que já vimos, já que todas essas semelhanças são vistas em questões de segundos, tudo tem seu próprio tom e mostra o porque essa nova visão do Matt Reeves era necessária, ao mesmo tempo que parece com tudo que já vimos é algo que nunca vimos antes no universo cinematográfico do herói.
Os pontos altos do filme são as sequências de ação e a trilha sonora visceral de Michael Giacchino, é impressionante como as músicas elevam as cenas ao uma grandiosidade ainda mais notável.
A perseguição de carro entre o Batman (Robert Pattinson) e o Pinguim (Colin Farrell) é uma das melhores sequências de ação da franquia, tão icônica quanto aquela do Coringa (Heath Ledger) e o Batman (Christian Bale) em “Batman – O Cavaleiro das Trevas“. Falando no Collin Farrel, esse Pinguim já é o meu favorito.
Mas “The Batman” não se trata só de porradaria -embora quando tenham funcionam muito bem -, mas sim de um thriller psicológico sobre uma tormenta interna do Batman nunca explorada antes, ele está tão quebrado que não tem tempo para aquelas cenas de ostentação com carros e mulheres como nos filmes de Christopher Nolan.
Eu preciso falar mais do elenco, porque Jeffrey Wright (“Westworld”) e John Turturro (“The Night Of”) também deram um show de interpretação.
Confesso que eu esperava um pouco mais da atuação de Robert Pattinson (Bruce Wayne) e Andy Serkis (Alfred Pennyworth), especialmente a do Pattinson que me surpreendeu positivamente em “O Farol“, quando contracenou ao lado de William Defoe e entregou um performance assustadoramente incrível. Por isso eu esperava uma entrega maior do ator, principalmente na cena dele com o Alfred no hospital, nesse momento ele deixa ainda mais nítido que não se encontrou no papel, pelo menos como Bruce Wayne, já que nas cenas em que ele aparece mascarado convence com sua amargura, frieza e fúria
Além do Colin Farrell como Pinguim que me cativou, a Zoë Kravitz me surpreendeu, e se tornou a minha segunda Mulher-Gato favorita após a Michelle Pfeiffer de “Batman Returns“.
Uma das coisas que mais vibrei no cinema foi quando tocaram a música Something in the Way do Nirvana, não só uma, como duas vezes, com a voz em off do Bruce/Batman narrando e passando um pouco do que ele sente sobre tudo. Algo que inclusive nunca foi usado nos filmes do herói e poderia facilmente ter sido aproveitado muito mais vezes, porque deu um charme extra ao thriller de Matt Reeves.
Em suma, “The Batman” é grandioso como alguns outros filmes do vigilante noturno, mas ainda não se equipara ao brilhantismo alcançado por Christopher Nolan em “Batman – O Cavaleiro das Trevas“. Deixando as comparações de lado, o nível do longa é altíssimo, especialmente se compararmos com diversos filmes de super-heróis, mas um pouco de polimento tornaria o filme menos cansativo, e a experiência de todos que fossem ao cinema seria ainda melhor.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: The Batman
🟡 Nos cinemas
2022 ‧ Ação/Suspense ‧ 2h 56m
adorei sua crítica!! uma coisa que concordei bastante com você é que o bruce wayne do robert não ficou tão bom como o batman dele, mas creio que isso possa ter acontecido de propósito… acho que foi a escolha de fazer um filme sobre o *batman* e não sobre o *bruce*, e eu confesso que adorei essa escolha
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Obrigado! Fico feliz que tenha gostado, ou pode ser também que ele teve pouco tempo em cena como o Bruce Wayne e como ator não teve tempo de desenvolver melhor. Mas eu também adorei a escolha de ser um filme muito mais do Batman do que dos antagonistas como costumava ser em outros filmes da franquia.
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