“Chinatown”, um clássico Neo-Noir com um mistério que te envolve como nenhum outro filme jamais fez

“Chinatown” é um filme de drama e suspense de 1974, dirigido por Roman Polanski e escrito por Robert Towne.

Foi o último filme do diretor feito nos Estados Unidos após uma acusação de estupro, o que resultaria na prisão imediata do cineasta se ele permanecesse em solo americano.

Indicado a 11 Oscars, incluindo Melhor Filme e vencedor na categoria de Melhor Roteiro Original, “Chinatown” apresenta um mistério que instiga logo no inicio, e ganha força a cada desdobramento, seja por suas escolhas criativas de roteiro ou pela direção que se inspira no clássico Noir, trazendo uma nova leitura ao subgênero que posteriormente se tornou conhecido como Neo-Noir.

O subgênero Noir surgiu na década de 1940, e sempre trazia como foco principal uma investigação, personagens dúbios, uma femme fatale, e claro uma visão mais realista da sociedade. Além disso, a estética visual desses filmes originalmente eram sempre em preto e branco com bastante destaque nas sombras e nos ambientes mais sombrios, uma clara referência ao expressionismo alemão. Noir pode também ser considerado um estilo e não um subgênero, e teve seu inicio logo após o fim da 2ª Guerra Mundial, como consequência disso vieram as histórias mais pessimistas sobre o mundo e a sociedade.

Em “Chinatown”, Roman Polanski trabalha alguns dos elementos Noir, mas atualiza o estilo com o uso de cores, além de uma femme fatale muito mais complexa e dúbia comparado aos clássicos da década de 40. Além disso, o diretor polonês fez uma exigência para Robert Towe, que o final desse filme deveria ser trágico e pessimista.

Na trama, em Los Angeles de 1937, um detetive particular J.J. Gittes (Jack Nicholson) recebe a visita de uma mulher que acredita que seu marido, engenheiro-chefe do Departamento de Águas e Energia, tem uma amante. Gittes logo descobre que a mulher era uma farsante e encontra a verdadeira Evelyn Mulwray (Faye Dunaway), filha de Noah Cross (John Huston), um dos homens mais poderosos da cidade. O engenheiro aparece morto e Gittes, envolvido com Evelyn, se vê no meio de um perigoso jogo de poder, falcatruas, mentiras e golpes econômicos cuja problemática é apenas o ponta pé inicial de reviravoltas devastadoras.

É impressionante como o roteiro de Robert Towne é seguro e sabe muito bem como conduzir todo o mistério, ao mesmo tempo que vai revelando progressivamente alguns pontos cruciais da trama, sem entregar tudo. É aquele jogo de pista e recompensa, por isso funciona muito bem, em nenhum momento você tem a sensação de estar sendo enganado com pistas falsas.

Mesmo se tratando de um clássico que eu acredito que muitas pessoas já assistiram, eu não vou revelar sobre o que esse suspense se trata para não estragar a experiência dos poucos que não tiveram a oportunidade de ver ainda. Acompanhar esse quebra-cabeça e fazer parte dessa investigação junto ao protagonista é uma das melhores experiências cinematográficas que qualquer pessoa possa ter.

Falando em protagonismo, Jack Nicholson está em um dos melhores papeis de sua carreira, inicialmente seu personagem se mostra tão imoral quanto aqueles que ele julga, mas conforme a história avança notamos um desenvolvimento de personagem muito claro, já que ele fica diante de um problema do qual ele procura resolver de alguma maneira. Eu achei incrível que logo após uma cena em que ele tem o nariz cortado por um personagem interpretado pelo próprio Roman Polanski, ele passa a maior parte do longa com um curativo no nariz, criando um aspecto visual bastante original ao protagonista.

A atriz Faye Dunaway faz uma femme fatale muito diferente da que todos conheciam até então, porque ela é complexa e vulnerável.

A cinematografia de John A. Alonzo e Stanley Cortez também são peças chaves para a condução eficiente dessa crescente de tensão e mistério, especialmente pelos enquadramentos e movimentos de câmera. Observem uma das primeiras cenas quando o detetive J.J. Gittes (Jack Nicholson) descobre que sua cliente na verdade era uma outra pessoa e a câmera se aproxima do seu rosto, esse é um pequeno exemplo de como nesse momento não só ele fica chocado com a informação – que nitidamente é exposta através desse jogo de movimentação de câmera -, como nós por observamos sua reação de perto.

A trilha sonora de Jerry Goldsmith (“Los Angeles – Cidade Proibida”) foi uma escolha certeira, pois as faixas instrumentais do filme são típicas de um thriller Noir.

“Chinatown” tem um roteiro muito bem amarrado sobre corrupção, assassinato, violência, pessoas amorais e imorais de uma sociedade nefasta, tudo isso culmina em um final trágico que conclui essa obra que é uma das mais marcantes da história do cinema e merece sua atenção.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ – Excelente
🎥 Filme: Chinatown
🔵 Disponível em: Prime Video e Telecine
Direção: Roman Polanski
1974 ‧ Suspense/Drama ‧ 2h 11m

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