
Quando eu soube que a nova aventura da Netflix, “O Projeto Adam” seria um filme com a parceria do diretor Shawn Levy e do ator Ryan Reynolds que no ano passado entregaram o ótimo “Free Guy: Assumindo o Controle“ (que está disponível na Star+ da Disney), eu fiquei um pouco empolgado, embora soubesse que esse seria uma produção Netflix que tem entregado filmes esquecíveis.
Mas a empolgação foi por pouco tempo, porque é uma aventura genérica sem a mesma energia de outros filmes do gênero como o próprio “Free Guy“ ou até mesmo como o ótimo “Jogador Nº 1” de 2018 dirigido por Steven Spielberg ou “A Guerra do Amanhã“ com o Chris Pratt, que embora não seja grande coisa também, me agradou bem mais.
Na trama, Adam Reed (Walker Scobell) é um menino de 13 anos que ainda está de luto pela morte repentina de seu pai. Ele vai para a garagem de sua casa e acaba encontrando um piloto (Ryan Reynolds) ferido escondido. Este misterioso piloto é versão mais antiga de si mesmo do futuro onde viagens no tempo são possíveis, e ele acabou voltando para seu passado que é o presente de Adam mais jovem. Os dois devem embarcar em uma aventura no passado para encontrar seu pai, acertar as coisas e salvar o mundo. Trabalhando juntos, tanto o garoto quanto o adulto Adam, aceitam a perda de seu pai e tem a chance de curar as feridas que os moldaram. Aumentando o desafio da missão, os dois descobrem que realmente não gostam muito um do outro e, mas se quiserem salvar o mundo, primeiro terão que descobrir como se dar bem.
A premissa não traz nada de inovador, já vimos diversos filmes com viagens no tempo, mas o grande problema de “O Projeto Adam” não está na repetição do que já vimos antes em outros filmes do gênero, afinal com um bom roteiro e uma direção inspirada é possível cativar independente disso. Quantos filmes parecidos nós já assistimos e gostamos do resultado?
A aventura falha por não criar uma coesão na história desde o princípio, a viagem no tempo não é bem estabelecida e a cada momento uma nova informação é apresentada de maneira bastante superficial, tornando toda a problemática ainda mais confusa e desinteressante.
Além disso, alguns dramas superficiais surgem com a intenção de criar um vinculo emocional entre os personagens, mas sem consistência acaba perdendo tempo no desenvolvimento da história central, se focassem mais na aventura como em “Free Guy“, talvez o resultado seria muito mais positivo.
Digo talvez porque nem mesmo as cenas de ação são inspiradas, é notável o uso de bastante CGI nas sequencias de aventura, e mais uma vez preciso mencionar “Free Guy“ que diferente desse novo filme de Shawn Levy, foi muito mais eficiente nos efeitos visuais, tanto que teve seu reconhecimento no Oscar 2022.
Ainda que os problemas sejam notáveis, o grande acerto desse longa foi a escalação do estreante ator-mirim Walker Scobell para dar vida ao Ryan Reynolds criança, especialmente porque ele é muito parecido com o ator, seja por sua aparência ou pelo fato de ter um time certo para fazer expressões e soltar algumas piadinhas, além de ambos terem uma química em cena.
Fora isso, as participações de Jennifer Garner e Mark Ruffalo não foram bem aproveitadas, então se você pensa em ver esse filme por causa dos dois atores, eu recomendo que revejam “De Repente 30”.
Definitivamente “O Projeto Adam” não é para mim, nem mesmo as referências a Star Wars foram suficientes para me cativar, mas o filme deve agradar as crianças e a família em um domingo à tarde.
Confira o trailer:
⭐️⭐️ – Regular
🎥 Filme: O Projeto Adam (The Adam Project)
🔴 Disponível em: Netflix
Direção: Shawn Levy
2022 ‧ Ficção científica/Aventura ‧ 1h 46m
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