
Se as pessoas ficaram em choque que no filme nacional “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”, o pedófilo interpretado por Fábio Porchat saiu impune no final, eu imagino o que elas sentiriam ao ver o final desfecho cruel que o filme argentino “El Cazador” tem.
Na trama, Ezequiel (Juan Pablo Cestaro) é um adolescente que fica sozinho em casa durante um mês enquanto os pais viajam à Europa. O jovem gay se interessa por Mono (Lautaro Rodríguez), o skatista de um parque nas vizinhanças, e logo eles iniciam um relacionamento. No entanto, depois de uma viagem de fim de semana, Ezequiel descobre um esquema perverso por trás do que imaginava ser uma história de amor.
O filme estabelece seu ritmo logo no primeiro ato. O diretor Marco Berger opta muito pelo silêncio em vez dos longos diálogos – as pausas entre uma fala e outra são bem longas e visíveis -, o que funciona bastante durante um tempo, já que todo o clima de suspense é muito bem estabelecido. Porém depois de mais de mais de uma hora, isso pode soar cansativos para algumas pessoas, especialmente quando tem uma virada na história que muda o foco de um personagem para outro.
Além do mistério eficiente, existe uma tensão sexual crescente entre os principais personagens, a sensualidade de ambos é muito bem explorada e nunca soa vulgar ou apelativo, a direção sabe muito bem como usar isso ao favor de sua história de forma natural. Mas há aqueles que possam ter uma outra leitura da exposição corporal, como se o diretor praticasse algum tipo de fetiche durante a direção ao explorar os corpos em diversas cenas com longos planos. Eu particularmente não me incomodo com isso quando a decisão serve para um propósito narrativo como é o caso desse filme, são adolescentes com os hormônios a flor da pele descobrindo seus desejos e prazeres.
O protagonista Juan Pablo Cestaro tem uma doçura e um jeito enigmático que são características essenciais para conduzir o mistério da trama. Já o coadjuvante Lautaro Rodríguez tem química ao lado do protagonista, mas sempre aparentando esconder algum segredo desde o principio.
Quando entra o personagem Chino (“Juan Barberini”), o que inicialmente parecia ser um filme sobre amor ganha contornos mais complexos que logo coloca a trama em uma roda de mentiras, crime e chantagem – que resulta em um final cruel e ambíguo -, quando a história encerra em um momento chave de uma revelação.
Ainda que a história seja muito interessante e daria um grande filme sobre crime e suborno, existe uma superficialidade e a falta de coragem de se aprofundar nas temáticas propostas pelo roteiro. O cinema contemplativo e intimista de Marco Berger proporciona apenas uma prévia do que se propõe a contar, e cabe ao espectador refletir após os créditos finais sobre o pouco do que foi explorado.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️ – Bom
🎥 Filme: White Boy Rick
🔴 Disponível em: Netflix
Direção: Yann Demange
2018 ‧ Crime/Drama ‧ 1h 56m
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