
O reboot de ”Power Rangers” de 2017 é um filme injustiçado, a aventura consegue trazer a história para os dias atuais de forma enérgica e bastante fiel a série original.
A trama segue a jornada de cinco adolescentes que devem buscar algo extraordinário quando eles tomam consciência que a sua pequena cidade Alameda dos Anjos – e o mundo – estão à beira de sofrer um ataque alienígena. Escolhidos pelo destino e recrutados por Zordon (Bryan Cranston, de ”Breaking Bad”), eles irão descobrir que são os únicos que poderão salvar o planeta. Mas para isso, eles devem superar seus problemas pessoais e juntarem sua forças como os Power Rangers, antes que seja tarde demais.
Logo na introdução quando mostra o passado de Zordon e uma destruição que acabou mudando seu destino, notamos a qualidade dos efeitos especiais desse novo filme que logo se distancia da série de televisão. É uma ótima cena de abertura que da um tom mais sério ao reboot, seguido por uma cena de apresentação do personagem Jason (Dacre Montgomery, de ”Stranger Things” e ”A Galeria dos Corações Partidos”) e Billy (RJ Cyler, de ”Vingança e Castigo” e “White Boy Rick”) que também estabelece um tom cômico com ótimas sacadas de humor. Logo após, uma sequência de corrida de carro muito bem dirigida envolvendo o personagem de Jason ao som de uma ótima música (“We Don’t Believe What’s on TV” – Blurryface), que só reforça a qualidade do filme. Inclusive, a trilha sonora tem ótimas canções que vão desde Tove LO à Kenye West.
Eu adoro todas as mudanças que foram feitas nesse reboot, que vão desde como essas pessoas adquiriram seus super-poderes, os trajes com um tom mais alienígena e tecnológico e a estética visual do Zordon (Bryan Cranston) e da vilã Rita Repulsa (Elizabeth Banks).
Além das mudanças visuais, é importante lembrarmos que no capitulo de estreia da série original nada era desenvolvido, tudo acontecia de forma muito superficial, desde o recrutamento dessas pessoas para se tornarem os Rangers, até mesmo as motivações dos vilões. Inclusive esses personagens tem seus problemas pessoais, como a Kimberly (Naomi Scott, de ”As Panteras”) que se sente culpada por ter feito algo errado e a Trini (Becky G, de “A.X.L.”) com sua questão sexual.
Felizmente o reboot não busca apenas fazer fanservice ao utilizar os nomes dos personagens originais ou até mesmo a curta aparição dos clássicos personagens Kimberly (Amy Jo Johnson) e Tommy (Jason David Frank) como figurantes numa cena. O longa insere os novos personagens em uma história muito mais verossímil – dentro do universo ficcional. Durante o processo de transformação, eles precisam lutar para conquistar esses novos dons, e eles se impressionam com suas novas habilidades, algo que nós sentiríamos também caso ganhássemos poderes de uma hora para a outra.
Um dos roteiristas é o Shuki Levy, um dos criadores da série original, por isso podemos notar tanto respeito aos personagens, ainda que as atualizações visuais sejam bastante visíveis.
A escolha mais inteligente e atual foi o fato deles trabalharem a questão dos laços de amizade. Eles precisam enfrentar seus medos para se relacionarem e criarem vínculos reais para se tornar os Power Rangers. Todos se descobrem como pessoas, amigos e treinam juntos para assumirem essa grande responsabilidade.
De todos os personagens, Jason (Dacre Montgomery), Billy (RJ Cyler) e Kimberly (Naomi Scott) são os mais cativantes e mais desenvolvidos, infelizmente o Zack (Ludi Lin) e a Trini (Black G) são chatinhos e não funcionam como os outros, tão pouco tem a mesma químico que o trio.
A Rita Repulsa interpretada por Elisabeth Banks também ganhou uma nova roupagem para a vilã da série, como eu mencionei no início. Além de dar vida ao uma Rita muito mais diabólica – ainda que seu papel seja bastante óbvio -, a perfomance da atriz colaborou para não ser mais um vilão tolo e esquecível como a versão do Lobo da Estepe do filme da “Liga da Justiça” de 2016.
Inevitavelmente, no último ato a história entra no caminho fácil, da grande batalha frenética do vilão contra os heróis, algo muito comum em filmes do gênero. A batalha final se de uma sequência de ação e aventura de ”Transformers”, mas o próprio roteiro entende isso e até brinca com a situação quando um dos personagens cita o robô Bumblebee.
Ainda que os efeitos especiais estejam anos luz à frente do seriado original, o CGI para os dias de hoje não é um dos melhores, mas nada que comprometa a experiência dessa aventura descompromissada que garante um ótimo entretenimento.
“Power Rangers” cumpre o papel de entretenimento de qualidade, mesmo que esteja longe de ser perfeito, a aventura é feita com capricho e entusiamo.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: Power Rangers
🟣 Disponível em: Star Plus
Direção: Dean Israelite
2017 ‧ Ação/Ficção científica ‧ 2h 4m
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