
Em meio a Guerra, diferenças sociais, crises políticas e tantas notícias ruins que nos bombardeiam todos os dias, ”Sementes Podres” funciona quase como uma terapia.
Dirigido pelo iraniano e francês Kheiron, “Sementes Podres” nos da uma esperança de dias melhores. Ainda que o roteiro exponha algumas crueldades do ser humano, a história é repleta de personagens carismáticos e mostra que todas as pessoas podem mudar e se diferenciar das sementes podres, quando se tem oportunidades.
Na trama, o pequeno Waël (Aymane Wardane) perdeu a família na guerra, e teve que aprender a se virar desde criança. Agora na vida adulta, Waël (Kheiron) vive nos arredores de Paris dando golpes com Monique (Catherine Deneuve), uma mulher aposentada. Sua vida se transforma no dia em que um amigo, Victor (André Dussollier), oferece a ele, por insistência de Monique, um pequeno trabalho voluntário no centro de crianças excluídas do sistema escolar.
A frase: “Não há ervas daninhas, nem homens maus. Há, sim, maus cultivadores”, do romancista francês Victor Hugo, o gênio por trás de clássicos como ”Os Miseráveis”, ”O Homem Que Ri” e “O Corcunda de Notre-Dame”, não poderia ser uma escolha melhor para a introdução do filme.
A sutileza na abordagem de diversos temas nesse roteiro é impressionante. Em seu segundo trabalho como diretor, Kheiron (que também atua como protagonista e roteiriza o filme) surpreende ao transitar entre temas complexos com um humor inteligente, sutil e na medida certa. Nada na história parece fora do lugar, todos os personagens, conflitos e decisões de roteiro são muito bem construídas, mostrando como o processo de educação pode moldar o futuro dos jovens, além de explorar um pouco sobre o sentimento de cada um deles. Existe uma fluidez admirável em todas as tramas apresentadas.
Ainda que existam diversos filmes com histórias sobre professores que mudam a vida de seus alunos como “Mentes Perigosas“ e “Sociedade dos Poetas Mortos”, ”Sementes Podres” se diferencia dos demais pela maneira que os dramas são apresentados, sempre indo para um lado mais leve, além de Waël ser um trambiqueiro de mão cheia, o que torna a dinâmica entre ele e os alunos divertidíssima e original.
O longa opta por mostrar mais da infância de Waël, através de flashbacks (incluindo uma cena de partir o coração) que são importantes para entendermos não só como ele se tornou a pessoa que é hoje, como também para intercalar com alguns dos dramas atuais dos alunos dele.
No elenco, o desempenho do ator Kheiron é fantástico, ele tem carisma, energia e um humor tão natural que transborda. Será impossível você não rir, sorrir ou se emocionar com ele. A atriz Catherine Deneuve também brilha, e foi a escolha perfeita para contracenar ao lado do ator iraniano e francês, eles tem uma química em cena que é deliciosamente gostosa de se ver. Os mais jovens do elenco também são peças chaves desse reconforto que o filme transmite.
A trilha sonora é outro destaque, na cena de abertura toca a melancólica “Nami Nami” de Ghada Ghanem, e em uma sequência próxima do final toca a belíssima canção “Let It Go” do Malo, em uma sequencia emocionante que lembra bastante a cena de introdução de ”Quem Quer Ser Um Milionário”.
“Sementes Podres” surpreende positivamente por ser aquele filme que você assiste esperando nada, e quando percebe já esta tão envolvido na história, que é como se conhecesse aqueles personagens e fizesse parte da vida deles. Se tratando de um comfort movie, se me perguntassem qual dos últimos que eu assisti e gostei mais, certamente eu escolheria esse porque além de ser reconfortante, não fará você apenas sorrir, como rir, chorar e se emocionar.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ – Excelente
🎥 Filme: Sementes Podres (Mauvaises Herbes)
🔴 Disponível em: Netflix
🎬 Direção: Kheiron
2018 ‧ Comédia ‧ 1h 40m
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