
“Um Contratempo” é um suspense que te mantém em frente a tela do inicio ao fim. Ainda que existam algumas reviravoltas que fujam da verossimilhança que se espera a principio, se você entrar nessa história sabendo que uma ficção permite alguns exageros, ainda mais quando são bem realizados e garante um entretenimento de qualidade, sua experiência será grandiosa.
Na trama, Adrian Doria (Mario Casas), tem uma vida perfeita, seu negócio é um sucesso e lhe trouxe riqueza, sua bela esposa teve a criança que desejava, e sua amante está bem com o caso dos dois escondido. Tudo está ótimo até que Doria e sua amante discutem no carro e acabam atropelando um garoto, sem saber o que fazer ambos decidem se livrar do corpo do garoto. Mais tarde, Doria acorda em um quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra sua amante morta no banheiro, coberta com um monte de notas em euros. Com tudo o que construiu desmoronando aos seus pés, Doria recorre a melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu na noite anterior.
O suspense protagonizado por Mario Casas bebe da fonte de grandes sucessos do gênero, como os filmes do mestre do gênero Alfred Hitchcock. Com isso, você precisa redobrar sua atenção porque o roteiro brinca com a sua mente ao explorar diversas versões da mesma história, portanto quando você pensa estar descobrindo algumas respostas para os mistérios, logo percebe que está tão perdido quando o personagem interpretado por Mario Casas.
O longa é dirigido e escrito por Oriol Paulo, cineasta responsável por outros grandes thrillers como “O Corpo” e “Durante a Tormenta“ e a série “O Inocente” (esses dois últimos títulos você encontra no catálogo da Netflix).
Ainda que todos os acertos do filme sejam notáveis, o terceiro ato parece atropelar alguns acontecimentos numa velocidade máxima para que mantenha sua atenção o tempo inteiro nos plot-twists, mas é um dos poucos momentos que me agrada, pois parece apressado e sem a verossimilhança dos dois primeiros atos. Mas essa minha leitura nem sempre será a sua, então caso você esteja avisado e embarque nessa história aceitando possíveis deslizes afim de um entretenimento de qualidade, poderá ser bastante recompensado.
Todos do elenco tem seus grandes momentos, especialmente a atriz Ana Wagener que transita com maestria entre diferentes sentimentos. Outro destaque também fica para a Bárbara Lennie, em certos momentos eu até lembrei do desempenho da Rosemund Pike em “Garota Exemplar“, eu não sabia se acreditava no lado bom da personagem ou no lado maquiavélico dela, e atriz convence em suas duas facetas.
A direção de fotografia é de Xavi Giménez (“O Operário”), e nesse trabalho ele transita as cores em três tons, os azulados, esverdeados e amarelados. Enquanto a tensão se estabelece no primeiro ato após o acidente, o azul é a cor predominante porque transmite frieza. No segundo ato, no momento em que os pais do garoto que sofreu o acidente aparecem, percebemos que o amarelado ganha força e através desse tom notamos o calor da situação e da angustia desses pais que procuram saber o que aconteceu com seu filho.
A trilha sonora enervante é do compositor Fernando Velázquez (“O Orfanato” e “Durante a Tormenta”). As canções são essenciais na condução do mistério, reviravoltas e momentos de tensão porque sempre causa nervosismo e excita os nervos!
“Um Contratempo” é uma história de crime, mentiras, justiça, vingança e ainda garante reviravoltas de explodir a sua cabeça!
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: Um Contratempo (El Contratiempo)
🔴 Disponível em: Netflix
🎬 Direção: Oriol Paulo
2016 ‧ Thriller/Mistério ‧ 1h 46m
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