
A crítica especializada tem sido muito cruel com a franquia “Animais Fantásticos”, e é até compreensível que isso tenha acontecido com o segundo filme que eu considero esquecível, mas “Animais Fantásticos e os Segredos de Dumbledore” por mais que não inove e nem surpreenda, cumpre o papel de entretenimento e te transporta para um universo mágico e encantador.
Na trama, Newt Scamander (Eddie Redmayne), é convocado por Albus Dumbledore (Jude Law) na luta contra o vilão Grindelwald (agora interpretado por Mads Mikkelsen). Eles encontrarão velhos e novos animais fantásticos, além de enfrentar a crescente legião de seguidores do vilão. Mas o que o grupo de Scamander não sabe é que Grindelwald colocará o Mundo Mágico em uma luta contra o mundo dos trouxas. Enquanto o universo da magia fica mais dividido, Dumbledore deve decidir por quanto tempo ele ficará à margem da guerra que se aproxima.
O maior problema das sequências de “Animais Fantásticos” é a falta de um foco narrativo e um propósito, sem dúvida as aventuras soam passageiras e a trama sem muito a entregar, mas todo esse universo lúdico compensa para quem procura aquela aventura descompromissada.
Quando a magia toma conta da tela, com os embates repletos de feitiços, animais fantásticos (embora bem menos que no primeiro filme), a aventura se torna cativante, ainda que o enredo não seja tão inspirado como os da franquia Harry Potter ou como o primeiro filme ”Animais Fantásticos e Onde Habitam”. Mas é difícil exigir muito de uma saga que a gente sabe que nem sempre o público que vai ao cinema espera por reflexões filosóficas. As vezes um bom entretenimento não deveria ser o suficiente?
A participação da atriz brasileira Maria Fernanda Cândido foi muito contida (para tanto marketing), mas fica aquela sensação de que ela terá um destaque maior na sequência.
Apesar de ser a terceira vez que mudam o ator que interpreta o vilão Grindelwald, eu nem tenho o que reclamar, afinal a escolha de Mads Mikkelsen supera todos os interpretes anteriores (ainda que sejam bons atores), nenhum deles se encaixaram tão bem quanto o ator dinamarquês – o ar que ele respira é suficiente.
A direção ficou por conta de David Yates, e é o sétimo filme do universo Harry Potter em que ele dirige. O cineasta consegue literalmente tirar leite de pedra, já que todo o aspecto visual transmite esse universo mágico com energia e vigor. Conseguem imaginar esse roteiro não muito inspirado da J.K Rowling com uma direção ruim?
Todos os aspectos visuais que inclui; figurino, maquiagem, fotografia, efeitos especiais e visuais, design de produção, além da já citada direção são os grandes acertos desse terceiro filme que sustentam muito bem o roteiro simplório.
A trilha sonora de James Newton Howard também foi outro grande acerto do longa, que conduz todo o clima de mistério, magia e aventura com primor.
Esse terceiro filme talvez sofra pelos bastidores complicadíssimos da franquia que envolveu a troca dos intérpretes do vilão Grindelwald pela terceira vez, e possivelmente agora será a vez da troca das cadeiras com o ator Erza Miller que também teve seu nome marcado por um recente escândalo, pela própria JK. Rowling e seus comentários transfóbicas e pelas incansáveis comparações com os filmes da franquia Harry Potter. Entretanto, “Animais Fantásticos e Os Segredos de Dumbledore” se visto como um filme sem interferências externas ou sem comparações com outros desse mesmo universo, poderá proporcionar uma ótima ida ao cinema!
Obs: Experimente a sessão 4D ou a D-BOX (cada cinema usa um nome), que são aquelas salas que movimentam as cadeiras conforme a aventura ganha ritmo, tenho certeza que será divertido e que vai valer o seu ingresso.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️ – Muito bom
🎥 Filme: Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore (Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore)
🟡 Nos cinemas
Direção: David Yates
2022 ‧ Fantasia/Aventura ‧ 2h 23m
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