“Cidade Perdida” pode ressuscitar as comédias românticas nessa aventura despretensiosa e funcional que entrega um besteirol de qualidade

Eu já disse várias vezes que um filme para funcionar nem sempre precisa ser profundo ou uma obra-prima, e essa minha visão se encaixa mais do que nunca quando se trata de uma comédia romântica com aventura. Mas é preciso ter um equilíbrio para não descambar para algo insuportavelmente difícil de assistir, nesse caso “Cidade Perdida” foi muito bem sucedido, pois é um filme claramente despretensioso que abraça a bobagem, mas que ao mesmo tempo sabe ser contido dentro de sua própria proposta.

Na trama, a brilhante, porém reclusa, autora Loretta Sage (a rainha das comédias Sandra Bullock) escreve sobre lugares exóticos em seus romances populares de aventura, cujas capas são estreladas pelo modelo Alan (Channing Tatum, “Magic Mike”), que tem dedicado sua vida a personificar o personagem herói, Dash. Durante a turnê de promoção de seu novo livro com Alan, Loretta é raptada por um bilionário excêntrico (Daniel Radcliffe, “Harry Potter”), para que ela o guie ao tesouro da cidade perdida descrita em seu livro recente. Afim de provar que é possível ser um herói na vida real, não somente nas páginas de seus livros, Alan parte para resgatá-la. Forçados a viver uma aventura épica na selva, o par improvável precisa trabalhar juntos para sobreviver e encontrar o antigo tesouro, antes que seja perdido para sempre.

Logo na primeira cena temos uma coletiva de imprensa sobre o livro de Loretta, e entediada pela imagem do homem gostosão que ela mesma criou, a romancista precisa lidar com uma plateia eufórica e insaciável que apenas deseja ver o personagem de seu livro sem camisa. Essa introdução já estabelece um pouco do equilíbrio entre a comédia non-sense com um humor mais inteligente que faz uma sátira ao que acontece muito na realidade, quando histórias que envolvem sensualidade tendem chamar mais atenção pelo corpo do que de fato pelo enredo.

Outro fato que torna “The Lost City” (título original) interessante, é que eles sabem que as coisas mudaram e atualizam o contexto, especialmente em citações rápidas sobre o empoderamento feminino. Se nas clássicas comédias românticas o homem era sempre o salvador — embora a premissa desse filme seja a mesma –existem os alívios cômicos, porém autoconscientes de que esse papel hoje nem sempre precisa ser apenas do homem, que a mulher também pode ser tão importante quando se trata de salvar a sua própria vida.

Entretanto, o filme não é nada inovador e muito menos revolucionário, porém executa muito bem tudo o que uma comédia pode oferecer de melhor, começando pelo elenco carismático que reúne alguns dos melhores nomes de Hollywood, como Sandra Bullock, Channing Tatum e Brad Pitt!

E quem diria que o casal protagonista interpretados por Bullock e Tatum tivessem tanta química em cena, não é atoa que a Paramount já estuda uma possibilidade de franquia, com um acerto desses é compreensível (embora eu ache desnecessário).

Além da química de ambos, é inegável que Sandra Bullock tenha nascido para a comédia, ela consegue passar tanta naturalidade nas cenas que é impossível não desejar que a atriz retome sua carreira nesse gênero.

Embora a princípio o personagem interpretado por Channing Tatum pareça um padrão sem cérebro (como é julgado pela própria protagonista em certo momento), o ator consegue ir além dessa primeira impressão que a personagem de Bullock tem sobre ele, e até mesmo nos surpreende com a sua sensibilidade natural que distancia o seu personagem desse arquétipo.

Até a participação de Brad Pitt é bem aproveitada e no pouco que ele aparece consegue trazer um humor satisfatório.

O único ator que não me convenceu nesse filme é o Daniel Radcliffe, e nem é culpa dele, já que o texto do vilão é totalmente previsível – até mesmo para os padrões dessa comédia.

A trilha sonora é inspirada (toca até a música de abertura de “True Detective” em um momento inusitado) e com músicas tão vibrantes quanto as cenas filmadas em ambientes paradisíacos (mesmo que seja em CGI), os tons de verde e as cores fortes, especialmente do vestido rosa cheio de paetê de Bullock só reforçam a vivacidade dessa comédia despretensiosa e funcional.

Você não vai sair da sessão de “Cidade Perdida” comentando sobre a direção, efeitos visuais ou quesitos técnicos em geral, mas certamente será recompensado pelo elenco carismático e horas de diversão, mesmo com o último ato que se prolongue mais do que deveria.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️ – Muito bom
🎥 Filme: Cidade Perdida (The Lost City)
🟡 Nos cinemas
Direção: Aaron Nee, Adam Nee
2022 ‧ Aventura ‧ 2h 23m

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