“X” é o terror slasher que a gente esperou por décadas

O gênero do terror teve seu grande momento no final dos anos 70 e o estouro nos anos 80 com os filmes slashers. Na última década o terror moderno, que incluía uma abordagem mais séria e com profundidade com filmes como Corra, “Hereditário” e “A Bruxa” ganharam força, e cada vez mais parecia distante algum filme slasher nos dias de hoje que funcionasse, afinal a cabeça das pessoas mudaram, basta observar que a exigência em seriedade não vem apenas nesse gênero, como também nos filmes de super-heróis e até mesmo na rejeição de comédias românticas mais bobinhas, observe o porque esse último gênero teve uma queda. 

O terror slasher “X” dirigido por Ti West (“Terra Violenta”, “V/H/S” e “O Último Sacramento”) não reinventa a roda e apesar de fazer grande tributos aos clássicos do gênero como “Sexta-Feira 13” e “O Massacre da Serra Elétrica”, o longa consegue se manter interessante pela capacidade do diretor em criar um clima envolvente de mistério e horror.

Na trama, acompanha um grupo de cineastas pornográficos em sua gravação de um novo longa. Em 1979, Maxine (Mia Goth, que interpreta dois papéis bem diferentes), uma atriz pornô, Wayne (Martin Henderson) seu namorado e produtor e mais um grupo de atores e pessoas vão para o Texas em uma fazenda, propriedade de Howard (Stephen Ure) e Pearl (Mia Goth), um casal idoso, para gravar o novo filme pornográfico “The Farmer’s Daughters”. Quando o grupo chega na propriedade, são recebidos pelo casal – que apresenta estranhas características. Howard é temperamental com o grupo, sempre falando sobre sua espingarda, enquanto Pearl começa a perseguir Maxine silenciosamente. Com as gravações iniciando sem o conhecimento do proprietário do local, Pearl começa a agir estranhamente e pessoas passam a desaparecer. Howard acaba descobrindo o real motivo do filme e o elenco passa a ter que começar a lutar por suas vidas. No entanto, o idoso casal tem mais a esconder do que apenas não querer que sua pequena fazenda seja um cenário de filme adulto.

O longa faz claros tributos e referências aos clássicos do gênero como eu disse, mas para a minha surpresa não se limita apenas a isso e inova na forma de desenvolver sua própria história. Não espere por mais um assassino mascarado ou por tudo que a gente já viu nos clássicos de slasher.

A recriação do finalzinho da década de 70 e o início dos anos 80 é realizada de maneira tão primoroso, que em certos momentos parece realmente que o filme foi filmado naquele período e não que estamos acompanhando uma ficção. E parece fácil recriar um período para os mais desatentos, mas observem o quanto as sequências de ”O Massacre da Serra Elétrica” falharam nesse aspecto, nenhum conseguiu se aproximar tanto do período quanto o clássico dos anos 70 dirigido por Tobe Hooper.

Outro grande acerto do filme é a construção de alguns dos seus personagens, especialmente a protagonista que foi claramente criada em um ambiente hostil de religiosos fanáticos que a reprimiam, e como consequência ela fugiu para se tornar uma atriz de filmes adultos. Esse contraponto mostra que a repressão sempre resulta no inverso do que se espera.

Como qualquer filme de terror slasher que se preze, você pode esperar pelo gore, mas não como em ”Uma Noite Alucinante”, o gore sempre é usado nos momentos certeiros da trama e em alguns momentos é até descartado para uma morte mais simples, o que eu particularmente gosto porque da um tom mais crível a trama – ainda que essa não seja a obrigação de um filme slasher.

O terror sanguinolento é presente, mas ele nunca é o grande foco de toda a história, há uma camada mais complexa, subjetiva e até mesmo reflexiva quando a direção opta por mostrar a juventude e a velhice quase como um comparativo quando divididos em tela. Nesse momento podemos refletir sobre o quanto a juventude é passageira, o quanto a industria de pornografia é superficial, dentre tantos questionamentos que o filme sugere ao espectador, mas tudo de maneira muito genuína, sem forçar a barra para algum tipo de moralismo.

Apesar dos acertos, existe a previsibilidade e as inverossimilhanças que consagraram o gênero slasher, então evidentemente quem vai assistir um filme como esse precisa ter em mente que isso não é demérito e sim o que o público de slashers procura e espera. Digo isso porque já vi várias pessoas reclamando disso, mas a nova geração acha que o terror se começou na última década e que todos os filmes do gênero precisam ser realistas e profundos.

A trilha sonora instrumental composta por Tyler Bates e Chelsea Wolfe, complementam o clima de estranheza e trazem até um tom onírico em algumas sequências do último ato, que contém algumas cenas creepy. Mas a seleção de outras músicas cantadas também são ótimas, e fará você procurar por todas elas para adicionar a sua playlist.

X” honra os filmes do subgênero slasher, garante o gore e as mortes sanguinolentas que todo fã do gênero espera e surpreende por desmistificar os vilões clássicos do terror.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ – Excelente
🎥 Filme: X
🟡 Breve nos Cinemas
Direção: Ti West
2022 ‧ Terror/Slasher ‧ 1h 45m

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑