
Você provavelmente já ouviu falar sobre Jim Jones, o líder de uma seita chamada Templo dos Povos, que ficou famosa devido ao suicídio em massa de 918 dos seus membros que aconteceu em novembro de 1978 em Jonestown. É sobre isso que o thriller “O Último Sacramento” se trata, ainda que a história altere os nomes e o número de mortes, muito do que aconteceu no filme de fato foi exatamente como na realidade. O filme é dirigido por Ti West (do ótimo terror “X” da A24).
Na trama, Patrick (Kentucker Audley) é um fotógrafo que viaja com seus amigos e colegas de trabalho Sam (AJ Bowen) e Jake (Joe Swanberg) até Eden Parish, uma comunidade onde sua irmã mora desde que começou um tratamento contra as drogas. Apesar de alguma dúvidas sobre o isolamento do local, ele vai até lá para visitá-la, enquanto seus amigos vão em busca de alguma história interessante para um documentário. Quando chegam, eles encontram pessoas extremamente felizes e satisfeitas com a comunidade e seus métodos de tratamento. Mas eles logo descobrem algo sinistro por trás do cenário aparentemente tranquilo.
Para quem conhece a história real, o filme pode não ser tão surpreendente assim, mas para quem não sabe muito sobre o que aconteceu pode ficar chocado como a loucura humana toma proporções inesperadas quando envolve um líder que diz ser a salvação para os seus problemas. Bom, se pararmos para pensar, nem é tão chocante assim, se levarmos em conta que as pessoas hoje em dia escolhem até presidentes como a salvação para todos os seus problemas.
Mas o que eu observei na direção de Ti West e que torna esse filme bem característico da sua filmografia é o uso do ‘‘found footage”, nesse longa através dessa escolha podemos acompanhar muito da história pela perspectiva do fotógrafo e dos seus amigos, um repórter e um cinegrafista que chegam ao Eden Parish para filmar e buscar mais informações sobre o que se passa naquele lugar. Em “V/H/S”, a história também é contada pelo uso do ”found footage”, a partir dos negativos perdidos, inaugurando assim o subgênero. Já em “X”, um grupo de amigos invadem uma casa para filmar seus filmes adultos, e algumas das cenas são mostradas pelo olhar da filmagem também.
O filme opta por algumas mudanças que tornam a história mais acessível, e uma delas é o fato de inserir o site VICE através dos personagens que usam o meio de comunicação para explorar os fatos desconhecidos da comunidade que esconde segredos obscuros.
O primeiro ato é bem introdutório e através dele acompanhamos apenas um repórter fazendo perguntas aos moradores do local, como também ao “Pai” (como é chamado o líder da seita pelos membros de Eden Parish) numa ótima sequência com mais de 10 minutos de duração que foi filmada em uma única tomada. Quando todos eles entendem o que realmente acontece naquele lugar, a história avança e os momentos de tensão tomam conta.
Há quem ache que o recurso “found footage” tenha sido uma escolha ruim, já que algumas vezes eles se esquecem de que a história deveria ser contada apenas por duas câmeras. Particularmente isso não me incomodou porque eu entrei na história e me senti tão apreensivo quanto aqueles profissionais que colocaram suas vidas em risco.
Para alguns, o filme pode ser considerado lento porque de fato demora para atingir o ápice do “terror”, mas para quem conhece a história real sabe que todo o primeiro e segundo ato são essenciais para estabelecer toda a situação, desde a estranheza do local, até mesmo as crenças daquelas pessoas e principalmente o líder.
“O Último Sacramento” não é surpreendente, mas é bastante eficiente na adaptação dessa história real, cabe a você decidir se prefere ver o documentário ou um filme sobre esse fato macabro.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️ – Muito bom
🎥 Filme: O Último Sacramento (The Sacrament)
⚫️ Disponível em: Apple TV
Direção: Ti West
2022 ‧ Terror/Slasher ‧ 1h 45m
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