
O faroeste “A Salvação” disponível no catálogo da Netflix deveria se chamar “O Sofrimento”, isso porque logo no primeiro ato tem uma das cenas mais tristes e sofridas que eu já vi em um longa metragem. Diferente dos lançamentos recentes do gênero, esse filme de 2014 não muda a roda, mas conta uma história de vingança com eficiência aos moldes clássicos do western.
Na trama, em1870, em meio a colonos e foras-da-lei, o imigrante dinamarquês Jon (Mads Mikkelsen, “Hannibal”) esperou durante anos para trazer sua esposa e filho para os Estados Unidos. Quando finalmente consegue, logo depois que chegam, eles se tornam vítimas de um crime horrível. Traído e hostilizado pela comunidade, Jon, acaba se transformando de um pacifico fazendeiro para um vingador implacável, tudo para buscar justiça, salvar a cidade e encontrar a paz.
Pela premissa talvez você espere um filme de vingança repleto de cenas de ação, mas a pouca ação que tem acontece apenas no último ato quando a vingança entra em cena.
O sentimento que sentimos no desenrolar da história é de revolta, especialmente em uma das primeiras cenas. Durante o primeiro e segundo ato acompanhamos injustiças de um mundo sem civilização dominado por homens bárbaros que fazem o que for para atingir seus objetivos e desejos pessoais, tudo isso sem se importar com a vida do próximo. O caos se torna crescente, mas nunca de maneira exagerada ou apelativa, isso porque a história se passa em um período sem as leis que existem hoje — literalmente era a terra de ninguém –, onde os homens abusavam ainda mais dos seus poderes e privilégios.
O longa também explora a corrupção nesse período onde o petróleo surgia em áreas inexploradas. Os ambiciosos e vigaristas se aproveitavam para matar quem aparecem em seu caminho para lucrar em cima dessas terras.
A atmosfera criada para esse faroeste evidencia todo o ambiente de dor, luto e injustiça através de um tom bucólico e a cinematografia de Jens Schlosser (“The Intended”) trabalha muito bem os tons soturnos o que torna o ambiente ainda mais desolador.
A direção de Kristian Levring é eficiente porque desde o primeiro ato consegue nos conectar com sua precisão, não só naquele ambiente sofrido e de desesperança, como também com os seus personagens fortes! É claro que também o mérito fica por conta do roteiro que conta com a participação de Levring e também de Anders Thomas Jensen, que dirigiu o ótimo “Loucos por Justiça”.
No elenco, o ator Mads Mikkelsen entrega um dos seus melhores desempenhos, ele passa toda a sua dor e resiliência para sobreviver nessa busca por vingança. A atriz Eva Green (“007 – Cassino Royale”) com seu magnetismo transmite um mistério (ainda que seja fácil de prever o que virá pela frente). Já o ator Jeffrey Dean Morgan (“The Walking Dead”) é bastante competente na pele do carrasco asqueroso em que interpreta. E o ator Jonathan Pryce (“Dois Papas”) dispensa comentários, no pouco que aparece, ele brilha em seu papel.
“A Salvação” é aquele filme que você verá uma vez e provavelmente terá em mente que as horas foram recompensadoras — ainda que muito doloridas –, mas também saberá que não é o tipo de história da qual terá vontade de revisitar tão cedo.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: A Salvação (The Salvation)
🔴 Disponível em: Netflix
Direção: Kristian Levring
2014 ‧ Faroeste/Drama ‧ 1h 40m
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