
“O Plano Imperfeito” é uma comédia original Netflix que tinha tudo para me agradar, com uma ótima premissa, elenco que inclui nomes como de Lucy Liu (que eu adoro) e uma alta aprovação entre a crítica especializada.
Na trama, Harper (Zoey Deutch) e Charlie (Glen Powell) trabalham como assistentes para dois executivos em Manhattan. O temperamento e a dinâmica de seus chefes transformam suas vidas em um verdadeiro inferno. Desesperados e exaustos, os dois jovens se juntam para elaborar um plano um tanto quanto ousado: fazer com que os seus superiores se apaixonem e, dessa forma, fiquem mais tranquilos em relação ao trabalho.
O longa é dirigido por Claire Scanlon (“Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy vs the Reverend”) e tem roteiro assinado por Kati Silberman (“Fora de Série”).
O primeiro ato sai da obviedade das comédias românticas que exploram apenas o casal protagonista e investe em uma história que lembra um pouco do sucesso “O Diabo Veste Prada”, quando aposta nos funcionários tendo que lidar com o temperamento inconstante de seus líderes.
Como o elenco me cativou logo de primeira e algumas situações envolvendo chefe e funcionário, eu imediatamente associei a comédia à outros sucessos como “Amor a Toda Prova”. Ainda que a premissa seja diferente, ambos os filmes tinham vários personagens para explorar e desenvolver, e a montagem transitava entre eles para contar suas histórias de forma independente e ao mesmo tempo conectando-a umas com as outras.
Tem momentos divertidíssimos e deliciosos de assistir em “O Plano Imperfeito”, como aquele em que os protagonistas interpretados por Zoey Deutch (“Zumbilândia: Atire Duas Vezes”) e Glen Powell (“Top Gun: Maverick”) precisam fazer os personagens interpretados por Lucy Liu (“Kill Bill: Volume 1”) e Taye Diggs (“All American”) se beijarem no telão de uma partida de jogo. Mas também tem aqueles exageros típicos de comédias românticas e as piadas constantes envolvendo o orgão sexual masculino, porém não incomodam tanto enquanto as outras tramas funcionam.

Entretanto, não demorou muito para que toda essa aposta muito mais promissora fosse deixada de lado para apostar em um romance água com açúcar (embora ambos tenham uma ótima química em cena), isso acontece porque o roteiro não colabora para que o romance seja encantador ou cativante como deveria. Acredito que o excesso de exageros e superficialidade seja um dos motivos para nos afastar desse romance que inicialmente tinha tudo para dar certo.
Outro problema do segundo ato é que as conveniências narrativas e os dramas superficiais ficam visíveis demais. Se no começo o casal de pombinhos foi capaz de armar para seus chefes se apaixonarem, quando surge um problema inesperado, a primeira idéia que vem na cabeça de Harper não é nada inteligente, resultando em situações óbvias demais para uma história que parecia muito mais inspirada no começo.
Sem mencionar que o Charlie, que parecia adorável no começo, logo se revela um perfeito babaca e essa escolha de roteiro nem soa genuína porque é uma revelação abrupta que parece mais existir para trazer algum ponto de virada na história. Sabe quando algo bem previsível acontece nas comédias românticas apenas para movimentar a trama por alguns minutos? É o que acontece em “O Plano Imperfeito”, mas é tão bobo que isso não traz nenhuma consequência, então não precisaria existir para aborrecer o espectador.
Mas quem impede que tudo isso seja um desastre ainda maior é o elenco que conta a atriz Zoey Deutch, que é uma graça e tem uma desenvoltura incrível para a comédia, em certos momentos ela me lembrava a Rose Byrne que eu também adoro e é outra que se saí muito bem nesse gênero. Mas os meus confetes todos vão para a Lucy Liu, que desde a primeira temporada de “Por que As Mulheres Matam” (uma série antológica que eu adoro), tem ganhado meu coração. Ela tem um humor extranatural, seu sorriso cativante, suas caras e bocas sempre estão no ponto certo. Já o ator Glen Powell (“Scream Queens”) não fica para trás também, no primeiro ato ele convence no papel porque também tem o time perfeito para o humor, mas é uma pena que o roteiro torne ele um cara egoísta e tão babaca quanto o seu chefe interpretado pelo ator Taye Diggs, que também está ótimo. Algumas outras aparições são descartáveis e não contribuem muito para o roteiro como é o caso de Pete Davidson.
Embora “O Plano Imperfeito” seja um filme despretensioso que busque apenas divertir, particularmente não foi nessa comédia romântica que eu encontrei o aconchego que eu buscava. Mas existem pontos positivos que talvez possam te agradar, mas para isso vai ser preciso desligar o cérebro direto na tomada, porque mesmo eu que costumo conseguir esse feito para curtir algumas comédias bobinhas não fui capaz disso dessa vez.
Confira o trailer:
⭐️⭐️ – Regular
🎥 Filme: O Plano Imperfeito (Set It Up)
🔴 Disponível em: Netflix
Direção: Claire Scanlon
2018 ‧ Comédia Romântica ‧ 1h 45m
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