O primeiro ”Jogos Mortais” é um grande thriller e não tem nada a ver com as sequências desnecessárias de tortura gratuita

O primeiro filme ”Jogos Mortais” é um dos melhores do gênero de suspense, e infelizmente ficou esquecido diante de tantas sequências desnecessárias que usou a tortura de maneira desenfreada e sem propósito.

O longa que deu inicio a franquia tem seu diferencial não só pela história e desenvolvimento, como também pelos nomes que aparecem nos créditos. Dirigido por James Wann (de ”Invocação do Mal”, “Maligno” e ”Aquaman”) e com roteiro de Leigh Whannell (diretor de “O Homem Invisível” e ”Upgrade: Atualização“).

Uma curiosidade é que antes do lançamento do primeiro longa em 2004, existiu um curta metragem criado pelos mesmos cineastas. O roteirista e ator Leigh Whannell interpretou o personagem que mais tarde seria interpretado pela atriz Shawnee Smith no primeiro filme lançado no ano seguinte.

Na trama, dois homens, o Dr Lawrence (Cary Elwes) e Adam (Leigh Whannell) acordam acorrentados em um banheiro como prisioneiros de um maníaco em série que leva suas vítimas a situações limítrofes em um jogo macabro. Para sobreviver, eles terão de desvendar juntos as peças desse quebra-cabeças doentio.

Se você gostou de ”Seven: Os Sete Crime Capitais”, provavelmente vai apreciar o que esse thriller tem para oferecer. Enquanto na trama de David Fincher nós acompanhávamos os dois detetives investigando os casos mais tenebrosos orquestrados por um impiedoso assassino, em ”Jogos Mortais” podemos ver os derradeiros dias das vítimas de um psicopata que tem muito em comum com o serial killer interpretado por Kevin Spacey. Ambos torturavam suas vítimas por um longo período, e desenvolviam um pré-julgamento que estabeleceria as razões para as mortes das pessoas capturadas por eles.

Além da história ser interessante (especialmente para a época), e o fato de manter a nossa atenção do inicio ao fim, é importante lembrarmos que o filme só não alcançou um nível de produção de primeira porque contou com apenas 1.2 milhão de dólares. Sendo assim, é evidente a precariedade de alguns quesitos técnicos, como da edição que em alguns momentos conta com cortes desajeitados e finalizado de maneira amadora. Mas em relação aos cenários, essa falta de orçamento até colaborou para a trama, já que a maior parte deles vem do quartinho sujo onde se encontram as principais vítimas, e do local onde o psicopata as observam durante os jogos mortais.

Além disso o filme inspirou uma série de filmes que envolvem jogos de sobrevivência, como “Escape Room”, “Jogue ou Morra”, “Verdade ou Desafio”, dentre tantos outros do gênero de suspense e terror.

Existem alguns pontos negativos durante o desenvolvimento e montagem, mas todos os acertos acabam sendo recompensadores, especialmente o desfecho surpreendente e imprevisível.

A trilha sonora de Charlie Clouser também deixou sua marca na franquia, é impossível não ouvir “Zepp Overture” e não saber sobre qual filme se trata.

Além da trilha sonora, o boneco creepy de bicicleta utilizado pelo psicopata para enviar as mensagens as suas vítimas se tornou icônico no universo do terror.

Com um baixíssimo orçamento e uma bilheteria de 103,9 milhões de dólares, dentre tantos outros acertos do primeiro longa, é uma pena que a franquia tenha apostado muito mais na tortura gratuita e menos na ideia original. Ainda assim, “Jogos Mortais” é um ótimo thriller que merece ser visto e revisitado. Mesmo após tantos longas que tentaram repetir o sucesso, esse continua sendo o melhor filme da temática de jogos de sobrevivência.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: Saw (Jogos Mortais – Enigma Mortal)
🟣 Disponível em: HBO Max
Direção: James Wan
2004 ‧ Terror/Thriller ‧ 1h 40m

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