“Justiça Brutal” é o filme de ação com cérebro que eu não via desde ”Fogo Contra Fogo”

Filmes de ação raramente entregam histórias que nos fazem refletir sobre o sistema e a corrupção como deveriam. Na maioria das vezes as cenas frenéticas tomam conta da tela e engolem qualquer história diante de tantas coreografias de lutas, tiros e perseguições. Mas “Justiça Brutal” entrega tudo o que um thriller de ação precisa, você só deve ter em mente que o desenvolvimento desse longa é lento. O thriller ainda explora o contexto social e aborda temas relevantes como o racismo, sem deixar de inserir sequências espetaculares de perseguição e tiroteio.

Na trama, o veterano policial Brett Ridgeman (Mel Gibson) e seu parceiro mais jovem e volátil, Anthony Lurasetti (Vince Vaughn), são suspensos quando um vídeo de suas táticas de trabalho brutais vira notícia. Sem dinheiro e sem opções, eles decidem entrar para o mundo do crime. Porém, o que eles encontram na criminalidade é algo muito mais obscuro do que esperavam.

Com uma premissa interessante, a primeira hora pode decepcionar aquelas pessoas que esperam muito mais por explosões, lutas e tiroteios, mas “Dragged Across Concrete” (título original) se preocupa muito mais em apresentar seus personagens e todo o contexto social antes de chegar no ápice da ação. Ainda assim, devo ressaltar que a ação é contida, existe muito mais uma tensão crescente nos momentos de perseguições do que outros artifícios usados para gerar o êxtase visual, você ficará apreensivo com o decorrer da história definitivamente. É uma experiência diferente dos filmes de ação com o Liam Neeson ou Jason Statham, e isso não é uma crítica negativa aos filmes desses outros dois atores, é apenas diferente do que você poderia esperar.

A direção lembra bastante as séries ”Breaking Bad” e ”Better Call Saul”, que praticamente acompanham o dia a dia de seus personagens como se a câmara estivesse escondida mostrando cada passo e detalhe! É claro que esse estilo de filmagem não é algo exclusivo das séries mencionadas, mas como estou acompanhando a temporada final do spin-off de “Breaking Bad”, eu não poderia deixar de fazer essa observação. E a comparação não é atoa, já que ambas as séries criam todo um território antes chegar em seu clímax – que sempre envolvem os personagens no limite dos acontecimentos.

Se você gosta do clássico ”Fogo Contra Fogo”, provavelmente a sua experiência com esse thriller de ação escrito e dirigido por S. Craig Zahler (dos aclamados ”Rastros de Maldade” e ”Confusão no Pavilhão 99”), será um achado e tanto.

O que impede o longa de ser excelente como a obra-prima de Michael Mann, é o excesso e até mesmo um pouco de pieguice no seu desfecho. Um pouco de polimento teria feito muito bem ao longa, especialmente porque todos os acertos são notáveis.

No elenco todos entregam perfomances marcantes, especialmente os protagonistas Mel Gibson e Vince Vaughn, que poderiam facilmente estrelar uma temporada de ”True Detective”! Que química incrível esses dois tem em cena. Assim como Matthew McConaughey e Woody Harrelson haviam trabalhado juntos anteriormente e anos depois estrelaram a série antológica da HBO, o mesmo poderia acontecer com esses dois, mas infelizmente o ator Vince Vaughn já foi escalado para a série antológica na segunda temporada (sem o Mel Gibson).

“Justiça Brutal” se diferencia dos demais filmes de ação por ser bem construído, realista e brutal. O longa pode ser facilmente equiparado aos clássicos de ação e suspense criminal, e não aos recentes filmes esquecíveis do gênero.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: Justiça Brutal (Dragged Across Concrete)
🔵 Disponível em: Prime Video
Direção: S. Craig Zahler
2018 ‧ Crime/Suspense ‧ 2h 39m

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