
O drama gay austríaco “Grande Liberdade” (“Great Freedom”), além de ser muito eficiente pela forma com que o diretor Sebastian Meise desenvolve a história, também é um belíssimo filme, graças ao olhar do diretor de fotografia Crystel Fournier (de “Tomboy”), que mesmo em um ambiente inóspito como o sistema carcerário, consegue trazer certa beleza mesmo nas cenas mais desoladoras. Mas já aviso que infelizmente o filme não é para todos os públicos, certamente quem se incomoda com um ritmo lento e cadenciado, não terá uma boa experiência.
Na Alemanha do pós-guerra, Hans (Franz Rogowski) é judeu gay condenado à prisão austríaca após a Segunda Guerra Mundial por violar as leis anti-homossexualidade. A única relação estável na sua vida torna-se o seu companheiro de cela, Viktor (Georg Friedrich). O que começa com a repulsa transforma-se em algo chamado amor.
O longa me ganhou por fugir das obviedades desses filmes do gênero que envolvem homens na prisão, não há cenas de estupro e violência brutal. Tão pouco o sistema carcerário vão transforma-los em predadores sexuais ou assassinos cruéis. O que roteiro procura é mostrar que mesmo nesse ambiente tão pesado, existe a solidão, o afeto e a busca por companheirismo também.
A história é contada entre três períodos diferentes, que passam por 1945, 1957 e 1968, e por incrível que pareça essas idas e vindas não se tornam confusas, graças ao trabalho primoroso de maquiagem e fotografia. Em certos momentos você pode achar que realmente algumas cenas foram filmadas anos antes, e só então finalizadas anos depois.
Em uma cena em especifico, onde o protagonista Hans é jogado na solitária pelos guardas, logo a tela fica preta e só conseguimos ouvir o som. Essas escolhas da direção são importantes, porque nos coloca imediatamente na pele do personagem e sentimos toda a solidão e angustia.
As atuações são um dos pontos altos desse filme, em especifica a de Franz Rogowski, que consegue transmitir todos os seus sentimentos e nuances com muita naturalidade. No último ato, o ator Georg Friedrich tem seu grande momento, especialmente por ser o único personagem que transita de um homem durão para alguém que também tem fragilidades, desejos e incertezas.
“Grande Liberdade” é um relato cru, intimista e desolador sobre uma época sombria para os homossexuais. É aquele longa que certamente partirá seu coração por relembrar de um período onde muitas injustiças aconteciam pelo simples fato de pessoas não poderem ser quem elas simplesmente eram.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: Grande Liberdade (Great Freedom)
⚫️ Disponível em: Mubi
Direção: Sebastian Meise
2021 ‧ Drama ‧ 1h 56m
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