“Pleasure” mostra o lado tóxico da indústria de filmes pornográficos

“Pleasure” que estreou recentemente no catálogo da MUBI, definitivamente não é para todos, e eu digo isso porque é um filme que contém cenas adultas e explícitas que podem incomodar alguns espectadores mais sensíveis. Mas se você não tiver nenhuma restrição quanto à isso, certamente irá embarcar nessa história que ao longo tem muito mais para apresentar que do que as cenas que envolvem sexo. O longa se originou de um curta metragem de mesmo nome que foi lançado em 2013.

Na trama, Jéssica (Sofia Kappel), uma jovem de 20 anos, deixa uma pequena cidade no interior da Suécia para viver em Los Angeles, buscando se tornar a próxima estrela pornô mundial. O que ela não contava é que a estrada até lá teria mais obstáculos que o esperado.

A protagonista não é uma garota aparentemente indecisa quanto a escolha profissional, quando a questionam o porque de sua decisão, a sua resposta sempre é direta e envolve o prazer. Ela diz estar cansada dos caras comuns e que quer mesmo embarcar nessa aventura sexual porque gosta. Além disso, ela quer ser a melhor atriz da indústria de filmes adultos.

O conteúdo que é explicito nesse filme faz todo o sentido, já que para sentir as consequências do que a indústria pornográfica pode fazer com essas pessoas envolvidas, você precisa ver como é degradante algumas situações, especialmente a que envolve a personagem de Sofia Kappel em uma cena com humilhação, tapas, xingamamentos e muito mais. Até o uso da trilha sonora nessa cena serve para mostrar o lado deprimente da situação, e mesmo uma personagem que estava certa sobre o que faria, se vê surpreendida com o que ela não imaginava.

Você sentirá empatia pela personagem, mesmo que ela tenha tomado essa decisão. É fácil entender como ela se sente reprimida em um ambiente dominado por homens. É desconfortante quando a personagem recua durante a filmagem de uma cena, mesmo que os envolvidos procurem acalma-la no intervalo da gravação, logo ela recebe uma bronca e se sente coagida em desistir de continuar a filmagem. É uma personagem complexa e cheia de camadas que da abertura para uma discussão sobre o que está em cena, não existe previsibilidade nos acontecimentos. A partir disso, somos convidados para pensarmos e refletirmos sobre as escolhas e consequências da protagonista.

Outro ponto positivo do longa, é o naturalismo e a química entre todo o elenco. Alguns atores realmente atuam na indústria pornográfica, por isso você percebe que eles estão confortáveis em cena, não é um desafio novo e algo do qual eles não tem domínio.

A direção é de Ninja Thyberg, e também sua estreia em seu primeiro longa metragem, anteriormente Thyberg era conhecida por curtas metragens. Acho extremamente importante que seja dirigido por uma mulher, fica nítido a sensibilidade de uma perspectiva feminina sobre a temática durante o longa.

“Pleasure” não é um filme gratuito que glamouriza o sexo ou a indústria pornográfica, pelo contrário, o roteiro eficiente e a direção cuidadosa humaniza essas pessoas que estão por trás da câmera apenas fazendo um trabalho, e nos convida para pensarmos além do resultado final de um filme adulto e entendermos o que se passa por trás das câmeras.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎥 Filme: Pleasure
🔵 Disponível em: Mubi
Direção: Ninja Thyberg
2021 ‧ Drama/Ficção ‧ 1h 48m

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