“Watcher” é um suspense que consegue surpreender mesmo com uma premissa que parecia batida

Filmes de suspense inspirados no clássico “Janela Indiscreta” de Alfred Hitchcock são vários; “Observadores” e “A Mulher na Janela” são dois exemplos mais recentes. No entanto, confesso que nenhum deles chega aos pés do clássico do mestre do suspense, e muito menos “Observador” alcança, mas chega perto de um jeito diferente.

Na trama, Julia (Maika Monroe) abandona sua carreira de atriz para acompanhar o marido em sua mudança para um novo país, onde ele conseguiu emprego. Enquanto segue o marido, Julia se sente frequentemente deslocada e solitária. Isso muda quando ela avista uma estranha figura pela janela do prédio em frente ao seu. Ao perceber que a figura também a observa, ela decide ignorar. Porém, quando a sensação de ser vigiada se intensifica, Julia começa a suspeitar que está sendo seguida. Será que a figura misteriosa é o assassino conhecido como “The Spider”, ou apenas um vizinho inocente?

No primeiro ato, tive a impressão de estar assistindo a mais uma história clichê sobre observadores. No entanto, no segundo ato, a narrativa segue por caminhos inesperados, com a pessoa observada passando a confrontar seu perseguidor. Foi nesse momento que minha mente foi desafiada, me questionando sobre o que estava testemunhando. Estaria a protagonista paranóica? O observador seria realmente um serial killer?

Esse jogo psicológico sobre a identidade do verdadeiro observador é intrigante ao ponto de manter o espectador preso ao sofá, sem piscar, por uma hora e meia.

À medida que a história avança, torna-se evidente que estamos acompanhando o estado mental de uma personagem solitária e deslocada. Julia, com um marido que trabalha até tarde todos os dias em um país estrangeiro, onde uma série de crimes está ocorrendo, se vê isolada pela barreira do idioma e da cultura. Seu relato de estar sendo observada é ignorado por todos ao seu redor. Nesse aspecto, fica claro que não estamos diante de um suspense tipicamente hitchcockiano, mas sim de um drama mais próximo de “Spencer”, que retrata a solidão da princesa Diana. Embora as histórias sejam distintas, há uma semelhança na forma como a direção aborda essas duas mulheres, além da atmosfera sombria.

No entanto, para minha surpresa, o filme nunca se torna previsível, sempre conseguindo surpreender e manter minha mente em constante alerta, assim como a protagonista. Isso é especialmente fascinante em um suspense.

No ato final, há uma cena que alguns podem considerar exagerada. Confesso que foi um deslize, mas nada que conseguisse ofuscar o encanto que experimentei durante todo o filme. Quando a experiência é globalmente satisfatória, acredito que alguns deslizes do roteirista possam ser perdoados.

A direção é de Chloe Okuno, em sua estreia como diretora de longa-metragem. Anteriormente, Okuno havia dirigido outro filme de terror, mas não como única responsável pela direção. É interessante observar um filme de suspense ou terror sob uma perspectiva feminina, embora o roteiro seja assinado por um homem. Em cada cena, é possível sentir a voz feminina clamando por socorro, por ser finalmente ouvida e notada.

As atuações do elenco são seguras e contidas, especialmente a de Maika Monroe (de “A Corrente do Mal”), que mantém nossa atenção completamente voltada para si. Ela é a grande condutora do suspense, embora a direção também seja bastante eficaz.

“Observador” possui a simplicidade de um bom suspense, mas também a habilidade de sair do convencional para brincar com a mente do espectador. Esteja preparado para ter sua percepção desafiada ao longo do filme e, quem sabe, se surpreender tanto quanto eu.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🟨 IMDB: 6.3
🍅 Rotten Tomatoes: 88%
🎥 Filme: Watcher
🟡 Breve nos cinemas
Direção: Chloe Okuno
2022 ‧ Thriller/Suspense psicológico ‧ 1h 35m

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