“A Casa do Dragão” não deveria ser comparada à “Game of Thrones”

É até injusto que “A Casa do Dragão” seja comparada à “Game of Thrones”, ainda que seja uma série derivada da outra, existe uma memória afetiva dos fãs da série original que se apoia principalmente nos ápices que a sua antecessora atingiu, e todos nós sabemos que esse ápice não aconteceu nos episódios primeiros episódios de “Game of Thrones”.

Eu particularmente acho que a comparação mais saudável, e até justa seria admitir que “House of the Dragon” (título original) tem muito mais potencial que a série original, já que os criadores da nova série foram responsáveis pelos melhores episódios de “Game of Thrones”, por isso, acredito que eles sabem exatamente em que terras estão pisando.

Baseada no livro “Fogo & Sangue” de George R. R. Martin“A Casa do Dragão” narra a história de conquista de terras em Westeros, mais conhecida como a Dança dos Dragões. Situada mais de 170 anos antes dos eventos da série original, acompanhamos a guerra civil que acontece enquanto os meio-irmãos Aegon II (Tom Glynn-Carney) e Rhaenyra (Milly Alcock/Emma D’Arcy) almejam o trono. Rhaenyra é a filha mais velha, contudo, Aegon é o filho homem de um segundo casamento, o que acaba gerando uma crescente tensão entre dois clãs Targaryen sobre quem tem o verdadeiro direito ao trono.

O primeiro episódio da série apresenta os conflitos já conhecidos em “Game of Thrones”, apenas com novos personagens. Evidentemente, essas semelhanças diretas prejudicou a minha experiência, ainda que tenha sido positiva — especialmente pelos quesitos técnicos –, não conseguiu me causar um impacto maior como aconteceu com parte do público. Confesso que fiquei receoso da série ser uma reprise de tudo o que já vimos anteriormente –, porém sem o mesmo impacto. Entretanto, para a minha surpresa, a cada novo episódio fica nítido que “A Casa do Dragão” ganha seu próprio rumo, ainda que para alguns seja impossível não associar os eventos da série original.

Todos os elementos que fizeram parte do sucesso de “A Guerra dos Tronos” estão presentes; disputa pelo poder, política, intrigas, fofocas, sexo e mortes. Mas nada disso é jogado por acaso –, embora seja nítida a velocidade apressada em que a história caminhe. A forma com que as tramas se interligam é incrivelmente bem construída, como se todas as peças se movessem na hora certa para atingir o ápice do jogo. Ainda que seja óbvio que uma fofoca possa trazer consequências devastadoras na vida de uma ou mais pessoas, as decorrências das mentiras nunca foram tão bem construídas em outra série de época, como acontece nesse universo criado por George R. R. Martin.

Séries épicas nem sempre conseguiram alcançar a mesma preciosidade em suas produções, é só observar quantas existem e quantas você adicionaria fácil em uma lista das suas favoritas. É evidente que “Game of Thrones” não só mudou esse padrão, como conquistou a confiança do público para acompanhar mais séries do gênero, além de abrir portas para novas obras de fantasia.

Falando agora no elenco, a escolha do ator Matt Smith para interpretar inescrupuloso o Daemon Targaryan não poderia ser mais acertada, ele transmite toda a inquietude que um ser humano detestável como ele consegue exalar por onde passa. Além disso, Paddy Considine está muito bem interpretando o passivo, porém irritadiço Viscerys.

Uma passagem de anos acontecerá no episódio seis dessa primeira temporada, e com isso as atrizes Emma D’arcy e Olivia Cooke serão adicionadas ao elenco para substituir Milly Alcock e Emily Carey. Desde o princípio, eu estava ansioso para conferir o desempenho de Olivia Cooke, porque eu adoro os trabalhos dela na série “Bates Motel” e no filme “O Som do Silêncio”. Só pelos trailers fica nítido que a atriz tem uma forte presença em tela. A atriz Emma D’arcy (“Wanderlust”) também promete. No entanto, as atrizes Milly Alcock e Emily Carey mandaram muito bem na primeira parte da temporada, e acredito que para alguns será difícil aceitar essa transição.

A fotografia da série também é um desbunde à parte, ainda que alguns momentos fique nítido o uso de computação gráfica, todo o trabalho de coloração e cuidados na finalização conseguem esconder essas deficiências visuais.

A trilha sonora de Ramind Djawadi (“Game of Thrones” e “Westworld”) também é impecável.

Faltam mais cinco episódios para que a primeira temporada de “A Casa do Dragão” se encerre, e ao que tudo indica, se esses próximos episódios forem tão bons quanto o promissor início, teremos uma temporada à altura das melhores de “Game of Thrones”, e uma redenção ao final da série original que deixou um gosto amargo aos fãs desse universo tão fascinante.

Confira o trailer:

Primeiras impressões
⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótima
🎥 Série: A Casa do Dragão (House of the Dragon)
🟣 Disponível em: HBO Max
🎬 Criada por: Ryan J. Condal e George R. R. Martin
2022 ‧ Drama ‧ 1 temporada

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