
“Hellraiser” de 2022, é um reboot da franquia do longa de 1987 que foi baseado no romance The Hellbound Heart escrito por Clive Barker, o filme na época foi um sucesso, produzido apenas com 1 milhão de dólares, se tornou sucesso com uma bilheteria de mais de 14 milhões de dólares.
Mais de 30 anos depois, ninguém acreditaria que um novo filme de “Hellraiser” poderia dar certo, afinal todas as sequências desde o segundo filme haviam sido pavorosas. Entretanto, quando o nome de David Bruckner foi escalado para o projeto, as pessoas começaram ter um pouco de esperança, afinal ele foi responsável pelos ótimos “O Ritual” e “A Casa Sombria“
Na trama, Riley (Odessa A’zion), é uma jovem que está lutando contra o vício, e acaba encontrando uma caixa de quebra-cabeças sem saber que, na verdade, estaria convocando os seres sobrenaturais conhecidos como Cenobitas, criaturas demoníacas de outra dimensão que são uma grande ameaça aos humanos.
Se tratando de um reboot, é importante lembrarmos que diferente de um remake, a nova produção não se apropria da mesma história contada no clássico de 1987. Esse é um longa que funciona até mesmo para aqueles que nunca assistiram nenhum filme da franquia Hellraiser.
O roteiro não é o ponto alto desse reboot, a história pode ser facilmente assimilada à vários filmes do gênero, mais uma vez temos jovens em perigo em busca de sobrevivência. Mesmo que não seja justa uma comparação direta, é inevitável admitir que no roteiro o filme de 1987 era muito mais original.
Um dos grandes acertos desse reinicio da franquia, são os Cenobitas, eles surgem muito mais assustadores, imponentes e enigmáticas. O visual de todas as criaturas dessa vez são compostas apenas por suas peles desfiguradas. Nas versões passadas, os Cenobitas usavam roupas pretas de látex, que os deixavam mais com cara de integrantes de uma banda de Heavy Metal, por isso eu considero essa mudança no aspecto visual, o maior acerto desse novo longa.
A escolha de Jamie Clayton (“Sense 8” e “O Demônio de Neon”) para dar vida ao Pinhead foi acertadíssima, ela consegue passar uma frieza e ameaça constante. Já o elenco de apoio que interpretam os jovens, nenhum consegue se destacar, nem mesmo a protagonista Odessa A’zion, que da vida à uma personagem que testa a paciência de qualquer espectador.
A direção de fotografia de Eli Born, é bastante competente, além de dar uma certa sofisticação ao terror que nas versões clássicas não existia. Em certos momentos, eu até pensei que a cinematografia fosse de Elisha Christian, que também foi responsável por “A Casa Sombria”, especialmente pelo uso de cores. Mas acredito que o diretor David Bruckner entrou em consenso com Eli Born, para dar esse tom ao longa, pois é muito perceptível a semelhança entre ambos os filmes.
A trilha sonora de Ben Lovett (“A Casa Sombria”) ajuda na composição de uma atmosfera sombria que foi muito bem construída nessa nova releitura.
“Hellraiser” de 2022, pode não ser uma obra-prima, nem mesmo um excelente filme, mas cumpre muito bem o papel de reiniciar uma franquia que estava morta. Mais uma vez a Hulu (serviço de streaming que não está disponível no Brasil) prova que sabe resgatar clássicos do cinema, antes já haviam provado isso com “Predador” (Prey), e agora mais uma vez com o novo “Hellraiser” — e ambos mereciam ter sido lançados diretamente nos cinemas.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️ – Bom
🎬 Filme: Hellraiser
🟣 Breve em: Star Plus
Direção: David Bruckner
2022 ‧ Terror/Suspense ‧ 2 horas
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