O filme de terror “Sorria” busca por inovação no gênero, mas será que consegue?

Diante de diversos filmes de serial killers, fantasmas e entidades malignas, “Sorria” aparentemente parecia ir um pouco além da obviedade, quando em seus trailers deixava claro que abordaria o sorriso como uma ameaça mortal.

Na trama, a vida da Dra. Rose Cotter (Sosie Bacon) muda, após uma paciente morrer de forma brutal em sua frente, e ela testemunhar o incidente bizarro e traumático no consultório. A partir daí, ela começa a experimentar ocorrências assustadoras que ela não consegue explicar, mas que de alguma forma, se relacionam com a morte que ela presenciou. Para entender o fenômeno que não sai de sua cabeça, a Dra. irá atrás de respostas. Para sobreviver, ela deverá enfrentar a situação perturbadora que se apresenta, e tentar escapar de sua nova e horrível realidade.

No primeiro ato, a história nos leva acreditar que o filme vai explorar esse terror psicológico em um paralelo com doenças mentais, depressão e ansiedade. Porém, quanto mais a história avança, essa primeira camada é deixada de lado, e a trama se torna mais previsível por ser apenas mais uma história de entidade maligna.

A primeira hora muito mais original e interessante, não só pela forma com que a narrativa se desenvolve, se aproximando muito mais de um terror da A24 (responsável por filmes como “Hereditário” e “A Bruxa“) do que pelo terror pasteurizado de Hollywood.

A direção do estreante cineasta Parker Finn, também surpreende pela sofisticação das filmagens em planos abertos e pelo movimento de câmera, que brinca com a nossa sensação ao ponto de nos sentirmos tão perdidos quanto aqueles personagens amaldiçoados.

Além disso, o trabalho de som nesse filme colabora na construção do suspense e dos momentos de ápice da história. Entretanto, chega um certo momento que isso parece mais uma solução de edição para tornar uma história mais interessante do que de fato seria sem todo esse trabalho técnico.

No elenco, a surpresa mesmo ficou por conta da protagonista Sosie Bacon, que consegue transmitir toda ansiedade de sua personagem ao lidar com uma força sobrenatural. O elenco de apoio também foi muito bem escalado, a breve aparição de Caitlin Stasey na sequência inicial foi uma boa entrada para o suspense.

A maior surpresa do longa está nos conteúdos de marketing, já que na prática foi impossível se distanciar da obviedade de entidades do mal. Entretanto, se você escapa de trailers como eu estou fazendo atualmente, sua experiência será muito mais recompensadora.

No final das contas, “Sorria” parece ter muito mais a oferecer, mas se perde um pouco quando precisa partir para o terror genérico de Hollywood. Eu não tenho o menor problema em apreciar filmes despretensiosos do gênero, mas é difícil quando te apresentam algo na primeira hora, e depois se entregam na megalomania e obviedades do qual você não esperava encontrar. Eu particularmente acho o terror psicológico de “Smile” (título original), muito mais efetivo que o terror convencional que ele apresenta em seu último ato. De qualquer forma, se você não for tão exigente, e abraçar essa história e aceitar essas conveniências narrativas, certamente terá um grande entretenimento.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️ – Bom
🎥 Filme: Sorria (Smile)
🟡 Em exibição nos cinemas
Diretor: Parker Finn
2022 ‧ Terror/Terror psicológico ‧ 1h 55m

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