
“Argentina, 1985” conta uma história real sobre dois promotores públicos Julio Strassera (Ricardo Darín) e Luis Moreno Ocampo (Juan Pedro Lanzani) que ousaram investigar e processar a ditadura militar mais sangrenta da Argentina em 1985.
Durante o processo, os dois precisaram correr contra o tempo para encontrar evidências e provas que condenariam os culpados pelo regime golpista que a Argentina sofreu.
Só pela premissa, podemos ver que esse é um filme que merece nossa atenção pelo fato histórico que conta com a punição de responsáveis por uma das mais horrendas ditaduras da história.
Diferente da maioria dos países que fizeram uma anistia, a Argentina investigou para colocar nas grades esses criminosos.
O que torna esse longa extremamente relevante e interessante, não é apenas seu tema e o fato histórico, mas como o diretor Santiago Mitre (“Abutres”) conduz tudo isso. É uma adaptação que consegue falar sobre um tema tão dolorido para muitos oscilando entre o thriller, drama e o humor perspicaz.
Uma cena cena onde o personagem de Juan Pedro Lanzani (“O Clã”) olha para todos ao seu redor com medo de que alguma bomba possa explodir à qualquer momento, me trouxe memórias de grandes thrillers que exploram paranoias ou sobre perseguições e observadores. Mas essa não é uma estratégia usada de forma gratuita, o contexto do roteiro permite ao cineasta Santiago Mitre brincar com isso para tornar o filme muito mais acessível e interessante de acompanhar.
O sentido de urgência não está presente apenas nesse momento em específico do longa, já que naquele período — mesmo após o fim do regime ditatorial –, qualquer um que se opusesse ou ousasse investigar os crimes, seria ameaçado ou sofreria algum tipo de retaliação.
Já em uma cena podemos ver o personagem de Ricardo Darín (“Relatos Selvanges”) fazendo gestos obscenos para um dos condenados durante um julgamento. É aquele momento de alívio cômico que surge na hora certa para aliviar um pouco de tensão das cenas anteriores, que exploravam o drama –, especialmente por retratar relatos de uma das vítimas.
Mas como todos os gêneros que foram trabalhados de forma genuína e transitaram com naturalidade, o drama também é trabalhado com maestria, nada soa demasiadamente exagerado, ou com algum apelo emocional apenas para despertar emoções gratuitas.
A escalação de Ricardo Darín dispensa quaisquer comentários, já está provado que ele é um dos maiores atores da Argentina, mas o longa não se apoia apenas em seu desempenho, todos do elenco estão ótimos. Até mesmo aqueles que foram escalados para pequenas participações como é o caso da atriz Laura Paredes (“Trenque Lauquen”), que interpreta uma das vítimas que comove em seu depoimento sobre os abusos de autoridade do regime golpista e ditatorial.
“Argentina, 1985” vem na hora certa, para lembrarmos os horrores que as ditaduras e os regimes golpistas fazem, além de mostrar o extremo dos regimes ditatoriais e como todos eles podem (e deveriam) ser punidos por isso. Em suma, o longa é um drama jurídico emocionante, necessário e importantíssimo que merece a sua atenção.
Confira o trailer:
⭐️⭐️⭐️⭐️ – Ótimo
🎬 Filme: Argentina, 1985
🔵 Disponível em: Prime Video
Direção: Santiago Mitre
2022 ‧ Drama ‧ 2h 20m
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