
“House of the Dragons” (título original) chegou com tudo e já provou que tem tanto potencial quanto a série original. Os criadores da nova série foram responsáveis pelos melhores episódios de “Game of Thrones”, por isso, acredito que eles sabem exatamente em que terras estão pisando.
A cada novo episódio ficava nítido que “A Casa do Dragão” ganharia seu próprio rumo, ainda que para alguns fosse impossível não associa-la com os eventos da série original.
Todos os elementos que fizeram parte do sucesso de “Game of Thrones” estão presentes; disputa pelo poder, política, intrigas, fofocas, sexo e mortes. Mas nada disso é jogado por acaso –, embora seja nítida a velocidade apressada em que a história caminhe, algo que particularmente me incomodou bastante.
A forma com que as tramas se interligam é incrivelmente bem construída, como se todas as peças se movessem na hora certa para atingir o ápice do jogo. Ainda que seja óbvio que uma fofoca possa trazer consequências devastadoras na vida de uma ou mais pessoas, as decorrências das mentiras nunca foram tão bem construídas em outra série de época, como acontece nesse universo criado por George R. R. Martin.
Séries épicas nem sempre conseguiram alcançar a mesma preciosidade em suas produções, é só observar quantas existem e quantas você adicionaria fácil em uma lista das suas favoritas. É evidente que “Game of Thrones” não só mudou esse padrão, como conquistou a confiança do público para acompanhar mais séries do gênero, além de abrir portas para novas obras de fantasia.
Falando agora no elenco, a escolha do ator Matt Smith para interpretar inescrupuloso o Daemon Targaryan não poderia ser mais acertada, ele transmite toda a inquietude que um ser humano detestável como ele consegue exalar por onde passa.
O ator Paddy Considine está muito bem interpretando o passivo, porém irritadiço Viscerys. A cena em que ele está doente e caminha para sentar no trono pela última vez foi o ápice da temporada, uma cena capaz de causar sensações mistas e me fazer terminar o episódio de queixo caído.t
Tanto as atrizes Emma D’arcy e Olivia Cooke, como Milly Alcock e Emily Carey deram um show de interpretação. Desde o princípio, eu estava ansioso para conferir o desempenho de Olivia Cooke, porque eu adoro os trabalhos dela na série “Bates Motel” e no filme “O Som do Silêncio”, — ela tem uma forte presença em tela. A atriz Emma D’arcy (“Wanderlust”) também superou minhas expectativas.
A fotografia da série também é um desbunde à parte, mas é impossível não lembrar do episódio mais escuro da temporada sem fazer alguma ressalva. Eu entendo que na época não existia iluminação, que a série quer passar a sensação de um ambiente sem esperança e inóspito, mas particularmente eu não consigo defender essa decisão criativa.
A trilha sonora de Ramind Djawadi (“Game of Thrones”) é impecável, o compositor já conquistou não só a minha admiração, como o meu coração após “Westworld”, que recriava canções famosas em versões instrumentais.
“A Casa do Dragão” entregou uma temporada à altura das melhores de “Game of Thrones”, e foi definitivamente uma redenção ao final da série original que deixou um gosto amargo aos fãs desse universo tão fascinante.
Confira o trailer:
🎥 Série: A Casa do Dragão (House of the Dragon)
🟣 Disponível em: HBO Max
Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️ – (8.5/10) Ótima
🎬 Criada por: Ryan J. Condal e George R. R. Martin
2022 ‧ Drama ‧ 1 temporada