“Pantera Negra” foi puro marketing ou é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos?

“Pantera Negra” na época de seu lançamento causou um alvoroço midiático instantâneo, e com razões louváveis, afinal pela primeira vez todos tiveram a oportunidade de conferir o primeiro longa de super-heróis com um elenco negro e de grande visibilidade.

Independente de etnias, “Black Panther” (título original) ganhou notoriedade também pelo seu papel de entretenimento, afinal mais uma vez a Marvel apostava na sua famosa receita que incluía uma história de origem, — mesmo que o personagem tenha sido inserido em outro longa do mesmo universo.

O roteiro de “Pantera Negra” é tão mais do mesmo, que é impossível em certo momento não associa-lo até mesmo ao “Rei Leão” e em uma determinada sequência fica impossível não lembrar de “007“. Isso demonstra que a Marvel sabe muito bem como conquistar o público, jogando da maneira certa e não arriscando em ousar. A regra dada ao Kevin Feige (um dos atuais chefões da Marvel) é simples, apenas recrie histórias que já deram certo antes, mude o cenário e os personagens e a receita está pronta. E não tem problema quando o entretenimento é garantido (o que é o caso desse longa), mas o roteiro não sofre apenas da repetição da fórmula desse universo, como também da superficialidade visual e narrativa.

Nesse filme solo não faltou a introdução de um mundo novo, todo o histórico familiar do protagonista da vez, os perigos, riscos, piadinhas (um pouco mais contidas) e tudo aquilo que já vimos em diversos filmes de origem.

Embora o universo criado seja fascinante, é notável o uso de computação gráfica em diversas cenas a plasticidade em tudo. Eu juro que em certo momento parecia que eu estava literalmente vendo atores na frente de uma tela imensa com um plano de fundo de computador com aquelas paisagens lindas. Particularmente, essa precariedade nos efeitos visuais e especiais me tira toda a concentração da história.

Não só me incomoda o fato do uso de CGI, mas também a falta de cuidado em aspectos técnicos e visuais, fica difícil imaginar que aqueles personagens realmente façam parte daquele mundo, quando você nota que são atores vestidos nos trajes. Eu não acho que seja muito exigir isso de um filme de super-herói, afinal “Logan”, “The Batman”, dentre tantos outros fizeram isso com primor.

É claro que em meio aos erros, tem os acertos, especialmente pela escalação de boa parte do elenco, como as carismáticas Angela Bassett (“American Horror Story”) e Danai Gurira (“The Walking Dead”) e os competentes Chadwick Boseman (“A Voz Suprema do Blues”), Daniel Kaluuya (“Corra”) e Michael B. Jordan (“Creed: Nascido Para Lutar”).

Mas enquanto alguns tiveram performances marcantes, outros do elenco ficaram bastante apagados ou até mesmo entregaram atuações esquecíveis em papéis tão ruins quanto seus desempenhos cênicos, como foi o caso Andy Serkis (“The Batman”) no papel do vilão caricato, e olha que eu costumo aplaudir de pé tudo o que esse ator costuma fazer. Outro que não fez a menor diferença em tela foi o ator Martin Freeman (“Fargo”).

O vilão interpretado por Michael B. Jordan tem presença de tela, tanto quanto o protagonista Chadwick Boseman, mas eu arrisco dizer que Michael B. Jordan está muito mais seguro nesse papel, enquanto o ator Chadwick Boseman parecia procurar seu lugar no papel.

Entre erros e acertos, meu grande questionamento ficou para a nomeação que o filme recebeu ao Oscar na categoria principal de Melhor Filme. Em sites de agregadores de nota, “Batman: O Cavaleiro das Trevas” permanece sendo o filme mais bem avaliado por público e crítica, seguido por “Vingadores: Guerra Infinita”, enquanto “Pantera Negra” amarga apenas 7.2 no IMDB por exemplo. “Pantera Negra” tem seu valor histórico por uma conquista de diversidade e visibilidade, mas particularmente está longe de ser um dos melhores filmes de super-heróis, é um bom entretenimento apenas.

Confira o trailer:

⭐️⭐️⭐️ – (6.0/10) Bom
🎥 Filme: Pantera Negra (Black Panther)
🔵 Disponível em: Disney Plus
🎬 Direção: Michael Grandage
 2018 ‧ Ação/Aventura ‧ 2h 15m

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