
Eu terminei “Pânico 6” com uma tarefa difícil; colocar no papel todos os erros e acertos! Digo difícil, porque é o longa mais instável da franquia, sempre oscilando entre erros e acertos, e nunca mantendo uma linearidade como nos filmes anteriores da franquia.
A cena de introdução com a atriz Samara Weaving (“Casamento Sangrento”) é eficiente ao explorar um pouco da nova ambientação; agora em Nova York.
Nova York seria o cenário perfeito para colocar as vítimas em uma situação ainda mais desesperadora, onde eles poderiam se sentir invisíveis no meio de tantas pessoas.
Porém, a mudança de cidade não foi tão bem aproveitada como foi prometido. Conforme os desdobramentos surgem, nós acompanhamos personagens em situações de risco, sempre em lugares internos.
A autoconsciência que a franquia sempre teve de não se levar tanto a sério, e satirizar o próprio gênero de uma forma cômica também foi deixado de lado. Ainda que os novos diretores pensem que essa mudança seja benéfica, eu acredito que isso descaracteriza algo que sempre fez de “Pânico” um terror inovador.
Os diálogos que antes faziam referências ao gênero do terror eram o cerne da narrativa. Na maioria das vezes discussões sobre como funciona um filme do gênero, estava na boca dos personagens. Era como se estivéssemos em um universo de jovens aficionados por filmes do gênero. Em “Pânico 6”, esses momentos estão ali apenas por obrigação para manter a marca da franquia.
A brutalidade nesta sequência, é a grande mudança que pode agradar alguns e desagradar outros. Eu particularmente gostei, mas não acho que esse elemento visual salve um roteiro completo, mas salva algumas sequências que se tornam intensas.
Toda a cena da Gale tendo que lidar de frente com o Ghostface é um dos melhores momentos do filme, isso porque a presença da personagem é forte (muito mais que a dos novos personagens), e por a direção ser eficiente.
Toda a sequência ambientada no metrô também é outro ponto alto! Era exatamente um pouco mais disso que “Pânico 6” deveria ter se aproveitado para criar tensão em Nova York.
Porém, como eu reforcei antes, nem tudo funciona em meio aos acertos. As falsas mortes são alarmes falsos e covardes que só mostram a ineficiência do filme comparado aos seus antecessores. Seria impossível personagens sobreviverem depois de tantas facadas.
Toda a sequência final no Museu do Ghostface ou a Batcaverna do Pânico (como eu chamei) é uma sequência praticamente idêntica de outro filme da franquia com o seu desfecho em um teatro. Com tanto a explorar em Nova York, eles preferiram repetir situações em ambientes internos já vistos diversas vezes nos filmes da saga.
“Pânico 6” é o longa mais inconsistente de toda a franquia, sempre oscilando entre deslizes e acertos. Embora garanta um bom entretenimento, eu me perguntava se seria possível ignorar as falhas visíveis dessa sequência. Lembrando que eu nem contei os erros clássicos de terror slasher, porque não faria sentido, já que costumam ser um dos bons ingredientes do gênero.
Confira o trailer:
🎥 Filme: Pânico 6 (Scream VI)
🟡 Em exibição nos cinemas
Nota: ⭐️⭐️⭐️ (6.0/10) – Bom
2023 ‧ Terror/Slasher ‧ 2h 2m
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