O subestimado “Era Uma Vez em Nova York”, conta uma história trágica da Nova York da década de 1920

“Era Uma Vez em Nova York” é mais um desses filmes grandiosos em sua narrativa, na escalação de elenco e outros aspectos técnicos que por alguma razão passou despercebido pelo grande público.

Mas infelizmente, o longa nem chegou a ser pago, realizado com um orçamento de 16 milhões de dólares, faturou apenas 5,9 milhões de dólares em bilheteria.

A resposta mais simplista poderia colocar a qualidade do filme em questão, mas não é o caso de “The Immigrant” (título original – bem melhor que a tradução em português).

Na década de 1920, a imigrante polonesa Ewa Cybulski (Marion Cotillard) se vê em uma situação bastante complicada, quando é separada de sua irmã quando as duas tentam entrar em Nova York. Separadas, Ewa conhece Bruno (Joaquin Phoenix), que aparenta ser um anjo que irá salvar sua vida. Mas estamos falando de uma trágica história, então com o desenrolar da história descobriremos que ele não passa de um cafetão que irá tentar se aproveitar de Ewa para lucrar em cima da jovem.

Enquanto Ewa precisa lidar com sua nova realidade, ela conhecerá Emil (Jeremy Renner), o primo de Bruno. Mais tarde, esse triangulo será mais uma dor de cabeça para a imigrante que além de precisar lidar com a falta de dinheiro, e sua irmã perdida, terá que decidir entre Bruno e Emil.

A premissa realmente não reserva nada único, ou que chame sua atenção, mas todo o trabalho de direção de James Gray (“Os Donos da Noite”) consegue tornar tudo mais interessante.

Não só a direção, como todos os aspectos técnicos deslumbrantes, que envolvem desde os figurinos, até a belíssima fotografia de Darius Khondji (indicado este ano ao Oscar por “Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades”), que mesmo filmando na maior parte do tempo ambientes fechados, consegue tornar aquele ambiente tão imersivo ao ponto de nos sentirmos dentro da década.

O mais interessante é que o roteiro de James Gray e Ric Menello nunca deixa a história seguir por um caminho simplista, isso porque os personagens não são divididos entre pessoas boas ou ruins, todos tem seus momentos e nós nos vemos sempre em dúvida de suas reais intenções.

A escalação de elenco também foi responsável por dar esse tom ao longa, já que os atores desempenham bem os seus papéis ambíguos. Embora a personagem de Marion Cotillard, seja a única que você percebe que realmente tem um bom coração e segue apenas com o objetivo maior de encontrar sua irmã, a atriz nunca deixa sua personagem superficial e menos interessante porque consegue oscilar os sentimentos de Ewa através de suas nuances e de um desempenho sublime.

“Era Uma Vez em Nova York” não reserva grandes plot twists ou uma grande escalada de acontecimentos que movimentarão a trama, mas conta com personagens tão desolados e perdidos, ao mesmo tempo, tão ricos para uma reflexão sobre o período e as circunstâncias em que viviam naquela década de Nova York, que certamente merece a atenção daqueles que curtem um bom drama.

Confira o trailer:

🎥 Filme: Era Uma Vez em Nova York (The Immigrant)
🔵 Disponível em: Prime Video e Paramount Plus
Nota: ⭐️⭐️⭐️ (7.0/10) Muito bom
Direção: James Gray
2013 ‧ Drama/Romance ‧ 2 horas

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