“Barbie” pode ser o filme do momento, mas “Oppenheimer” já se tornou um dos melhores desta década

O diretor Christopher Nolan costuma ser bem controverso por ter se tornado um dos melhores diretores desta última geração. Isso se deve ao fato de que, com apenas 12 filmes em sua filmografia, o cineasta já conseguiu imprimir sua identidade única, além de lançar grandes sucessos de bilheteria, com boa aceitação tanto pelo público quanto pela crítica.

Eu não sou um daqueles fãs fervorosos que o diretor já conquistou. Na minha opinião, em sua filmografia, ele tem grandes filmes com qualidades inquestionáveis, como “Amnésia”, “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e “A Origem”. No entanto, também possui ótimos filmes, embora não perfeitos, como “O Grande Truque” e “Interestelar”.

“Oppenheimer” é grandioso, um espetáculo visual com um elenco excepcional, especialmente pela atuação de Cillian Murphy, que não poderia ser mais acertada. Alguns podem dizer que ele está apático, mas eu discordo dessa visão, pois o verdadeiro Robert Oppenheimer tinha esse olhar triste e uma expressão mais contida. O ator Cillian Murphy consegue capturar a essência dessa personalidade real e transmite isso de forma primorosa na tela, fazendo-me esquecer, em muitos momentos, de tantos outros papéis memoráveis que ele já interpretou.

Assim como Cillian Murphy, outro ator que deu um show de interpretação foi o querido Robert Downey Jr. (“Homem de Ferro”) Além dele, há várias participações especiais grandiosas que potencializam todos os acertos do longa.

A narrativa não segue uma ordem cronológica linear, mas essa é uma característica registrada do diretor. Reclamar disso, na minha opinião, seria como reclamar do excesso de sangue nos filmes de Tarantino, da estética surrealista de Wes Anderson ou dos tons de vermelho que Almodóvar faz questão de usar sempre.

“Oppenheimer” não é apenas interessante por seus acertos técnicos, mas também pela relevância histórica da história, não só pela época em que aconteceu, mas porque vivemos um momento muito difícil atualmente, onde sabemos que vivenciar algo como o passado não está tão distante quanto parece.

É evidente que as três horas de duração podem ser pesadas para alguns espectadores, mas acredito que se alguém não se interessa pela história de Oppenheimer e já sabe da longa duração do filme, é questionável se essa pessoa precisa assistir apenas para reclamar desses pontos.

Particularmente, o que me impede de considerar “Oppenheimer” uma obra inquestionável como os filmes citados acima é o fato de que Nolan tem feito uso excessivo de trilha sonora. Isso ficou muito evidente em “Tenet”, ao contrário de “Interestelar”, que faz isso muito bem. Em “Oppenheimer”, a trilha sonora acaba sendo o próprio inimigo da belíssima composição de Ludwig Goransson, pois é usada em todos os momentos, sem dar nenhum respiro. Durante um interrogatório final, por exemplo, o uso excessivo da trilha acaba atrapalhando o diálogo em vez de favorecer a tensão que o diretor desejava evidenciar. Às vezes, o silêncio pode ser tão poderoso quanto uma trilha sonora, especialmente em um interrogatório, onde o diálogo poderia ser o melhor aliado do roteiro, mas o uso excessivo da trilha sonora parece desesperadamente buscar uma catarse.

Apesar deste ponto negativo, “Oppenheimer” é tão extraordinário quanto sua história real. As três horas de duração são necessárias para mostrar que, para Robert Oppenheimer, construir a bomba atômica implicou em tantas coisas para sua profissão e vida pessoal, não apenas antes da aprovação, mas também nas consequências que isso teve em sua vida. “Barbie” pode ser o filme do momento, mas “Oppenheimer” já se destaca como um dos melhores filmes desta década.

Confira o trailer:

🎥 Filme: Oppenheimer
🔎 Onde assistir: Cinema
Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (8.5/10) – Ótimo
Direção: Christopher Nolan
2023 ‧ Drama ‧ 3h

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