
“Barbie” tem uma cena introdutória que faz referência a “2001: Uma Odisséia no Espaço”, o que é simplesmente genial. Só é uma pena que tenham lançado essa sequência antes como parte da divulgação, em vez de guardá-la exclusivamente para o filme.
Após esse começo promissor, “Barbie” mantém o entusiasmo do espectador ao recriar o mundo fantástico da boneca. O design de produção de Sarah Greenwood (indicada ao Oscar quatro vezes, incluindo por “Orgulho e Preconceito”), o figurino e a fotografia de Rodrigo Prieto (responsável pela trilogia da Vida de Alejandro González Iñárritu) são impressionantes.
A atuação de Margot Robbie é muito acertada, não vejo outra atriz que poderia ter dado vida a Barbie. Entretanto, tive dificuldades em ver Ryan Gosling no papel de Ken. Sempre achei o ator talentoso e adoro vários de seus papéis, mas em muitas cenas ele aparenta ser muito mais velho para interpretar o boneco Ken.
Quando a Barbie sai desse cenário fictício, o longa continua com seu vigor, abordando críticas ao mundo das bonecas e a dificuldade de ser mulher em uma sociedade dominada pelo machismo e patriarcado, entre outros temas importantes e relevantes.
No entanto, em certo ponto, a história parece ter sido desenvolvida em torno dessas ideias de críticas sociais, em vez de se concentrar em uma narrativa envolvente, divertida ou emocionante que transmita as críticas de forma genuína. Não tenho problema algum com filmes que buscam criticar temas relevantes ou até mesmo abordar pautas feministas.
Filmes como “Adoráveis Mulheres”, “Bela Vingança” e até mesmo “Meninas Malvadas”, que é tão colorido quanto “Barbie” e também faz críticas sociais, consegue ser infinitamente mais efetivo e divertido. Vale lembrar que Tina Fey (roteirista de “Meninas Malvadas”) é uma mestre na comédia, como comprovado por sua série “30 Rock”, que conquistou se tornou recordistas de prêmios.
Embora “Barbie” não se venda apenas como uma comédia, também é um drama, fica claro que Greta Gerwig é muito mais eficiente quando explora o seu lado dramático. Por isso, “Adoráveis Mulheres” e “Lady Bird” foram os filmes que impulsionaram a diretora na indústria cinematográfica.
Quando o longa se torna envolvente ao apostar no drama, logo em seguida, alguma situação precisa imediatamente puxar para o lado cômico, talvez para evitar associar a marca da Mattel a um drama existencialista e crítico. O problema reside principalmente nos números musicais, que soam extremamente deslocados e pouco divertidos ou envolventes.
Parece como se na sala da Warner alguém estivesse clamando para inserir mais momentos de felicidade, provavelmente para impulsionar as vendas das bonecas. No final das contas, é mais um filme crítico que acaba apoiando a indústria e reforçando o nome da marca. Se as bonecas Barbie passarem por um rebranding após o filme, aí sim eu terei que me redimir e bater palmas por ao menos uma conquista, pois no geral, considero apenas um bom filme que alcançou uma imensa repercussão e hype graças ao seu gigantesco marketing.
“Barbie” é aquele bolo de glacê, lindo por fora, que parece saboroso, mas quando você prova acha apenas bom.
Confira o trailer:
🎥 Filme: Barbie
🔎 Onde assistir: Cinema
Nota: ⭐️⭐️⭐️ (7.0/10) – Bom
Direção: Greta Gerwig
2023 ‧ Comédia ‧ 1h 54m
Acho que faltou uma amarração entre cenas. Ela sai da Barbieland e vai para o mundo real com muita rapidez. Se impressiona com o mundo real igualmente rápido. Ficou superficial a conexão entre cenas. Me parece que quiseram colocar muita coisa e a liga não pegou.
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Concordo. Não houve o mesmo cuidado que filmes como “O Show de Truman”, por exemplo. Isso deu uma sensação de superficialidade mesmo. Não tivemos tempo para criar uma relação entre esses dois mundos e sentir um impacto no final. Nem ela nem nós conseguimos realmente sentir essa transição, e os efeitos dela.
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