Precisamos lembrar de “Rua Cloverfield, 10”, um dos melhores thrillers dos últimos anos

O primeiro filme da trilogia “Cloverfield” já tinha alcançado um ótimo nível de entretenimento, mesmo com um baixo orçamento, graças à direção eficiente de Matt Reeves (dos dois últimos filmes “Planeta dos Macacos” e “The Batman”). No entanto, a sequência “Rua Cloverfield, 10” consegue ser ainda melhor, subvertendo as expectativas de um filme catástrofe.

Essa subversão do gênero acontece logo na premissa, que se desenvolve sem precisar seguir uma sequência direta do primeiro filme. E como isso é colocado em prática?

A trama começa com uma jovem vítima de um sequestro, acordando presa em um porão subterrâneo, temendo por sua própria vida. O homem explica que salvou a vida dela, mas como ela não sabe se pode confiar nele, tenta se libertar da prisão de todas as formas.

Como vocês podem ver, a premissa não segue nada que indique que esta é uma sequência direta de “Cloverfield: Monstro”, até que em um determinado ponto da trama, pistas começam a indicar que o sequestrador pode sim ter salvo a vida da protagonista daquela catástrofe que vimos no primeiro longa.

O que não torna a trama tão óbvia é a brilhante atuação do ator veterano John Goodman (“Argo”) e da novata atriz Mary Elizabeth Winstead (“Premonição 3”). Enquanto ele consegue oscilar entre seu temperamento, sempre nos colocando diante de perspectivas diferentes, a forma com que a atriz reage a cada reação nova de John Goodman é espetacular, pois ela consegue passar todo o sentido de desespero e desconfiança. É fácil nos identificarmos com a protagonista. Eu mesmo, como costumo ser cético, não acreditaria na mensagem de bom moço que ele transmite.

É essa paranoia da protagonista que consegue fazer com que a trama se torne cada vez mais angustiante e asfixiante, pois, independentemente das motivações do sequestrador (se ele está certo ou errado no que diz), nossa maior dúvida é quanto ao que irá desencadear desse conflito de desconfiança. Afinal, caso ele esteja certo e ela teime em sair da prisão, terá que lidar com um problema ainda maior no mundo fora da prisão. E caso ela esteja certa, também terá que sobreviver. É um quebra-cabeça alucinante, porque, independentemente da resposta, é um jogo que parece sem saída. O que você faria numa situação dessas?

Por isso, para ter a melhor experiência possível com “Rua Cloverfield, 10”, eu recomendo que você assista ao primeiro filme, pois tanto o desenrolar quanto o desdobramento dessa sequência evidentemente impactam em como você verá essa história.

Confira o trailer:

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