
O ator Tom Cruise consolidou-se como uma figura proeminente nos filmes de ação, e isso não foi por acaso! Assistindo a “Missão Impossível: Acerto de Contas Parte 1”, torna-se ainda mais evidente a evolução do ator nesse gênero. Isso ocorre porque ele consegue transmitir um realismo absurdo em sequências que desafiam nossa imaginação.
Aquela cena do salto de Speedflying, que ganhou muita fama antes do lançamento do filme, é um dos pontos mais marcantes que me faz lembrar como o ator executa um trabalho primoroso ao dispensar a necessidade de efeitos de computação gráfica. Quando ele realiza o salto, é possível observar os efeitos da gravidade em suas expressões faciais. Seu rosto está verdadeiramente em movimento, não deixando dúvidas de que a cena foi realizada com a maior autenticidade possível.
Decidi rever todos os filmes da franquia em casa para estar preparado para assistir ao novo filme. Ver “Missão Impossível” nas telonas enriquece a experiência para qualquer pessoa. As cenas de ação ganham ainda mais intensidade devido à frenesi e à adrenalina.
Há uma sequência envolvendo uma perseguição de carro em Roma que é tão eletrizante quanto a famosa cena do salto, mas também extremamente divertida. Isso acaba quebrando o gelo dos clichês tradicionais da franquia.
Claro que todos aqueles clichês que envolvem grandes traições, reviravoltas mirabolantes e a famosa perseguição gato e rato estão presentes, afinal se esses ingredientes fossem retirados de um filme da franquia, não teria o mesmo efeito, e não vejo nenhum problema em repetir a fórmula a exaustão quando é bem executada.
A cena de introdução no submarino já demonstra que, mesmo no sétimo filme da franquia, toda a equipe ainda possui energia para criar situações diferentes. Embora repita algumas situações, como a sequência do trem no final, que imediatamente me remeteu ao primeiro filme, fica evidente que eles têm um domínio claro de como utilizar esses elementos marcantes da franquia e potencializá-los de maneiras diversas. Essa sequência específica, por exemplo, trouxe à minha memória a plasticidade da cena do primeiro filme, contrastando com a capacidade desta de trazer um realismo que não havíamos testemunhado no longa original dirigido por Brian De Palma – embora eu tenha grande apreço pelo filme introdutório da franquia.
Além de toda a ação, o novo filme da franquia também escolhe um vilão diferente – até certo ponto. Inicialmente, descobrimos que o principal antagonista da trama é, na verdade, uma inteligência artificial. No entanto, o problema surge quando percebemos que essa IA está sob o controle de um ser humano, o que diminui o impacto que havia sido estabelecido anteriormente pela figura do desconhecido. Ainda assim, é importante considerar que estamos tratando da primeira parte, e essas impressões podem ganhar uma nova visão quando a história for concluída na sequência.
Com tantos acertos, “Missão Impossível: Acerto de Contas – Parte 1” só não atinge a excelência devido ao último ato, que prolonga a trama além do necessário, resultando em um cansaço evidente. Isso não se deve à sua duração, mas sim à falta de desenvolvimentos que poderiam enriquecer a narrativa.
Em qualquer obra cinematográfica ou televisiva, sempre me incomodo com os alarmes falsos, criados para preencher tempo, e essa questão se torna evidente nos últimos 40 minutos. Mesmo que ocasionalmente proporcione momentos visuais deslumbrantes com cenas de ação impactantes, fica nítido o excesso.
Dito isso, o sétimo filme da franquia é ótimo, porém poderia ser significativamente melhor se tivesse consciência sobre quando encerrar a história. Afinal, considerando que haverá outra parte, torna-se evidente que estender demais a narrativa não era necessário. Isso ressalta ainda mais o motivo pelo qual “Missão Impossível: Efeito Fallout” continua sendo meu filme favorito da série.
Confira o trailer:
🎥 Filme: Missão Impossível: Acerto de Contas Parte 1
🎥 Onde assistir: Cinema
Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (8.0/10) – Ótimo
Direção: Christopher McQuarrie
2023 ‧ Ação/Aventura ‧ 2h 43m
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