“Vermelho, Branco e Sangue Azul” daria uma boa novela das 7 de comédia pastelão

Se eu não soubesse que “Vermelho, Branco e Sangue Azul” é uma adaptação literária, poderia jurar que o roteiro foi criado com a ajuda de uma inteligência artificial. As situações carecem de verossimilhança e são altamente previsíveis.

Tive a sensação de que alguém usou um software de IA para criar um roteiro de romance gay, seguindo a estrutura de “Crepúsculo”, com toques de sensualidade à la “50 Tons de Cinza”.

O diretor admitiu seu desejo de retratar cenas de intimidade entre homens, mas parece que Matthew López não explorou o suficiente filmes com casais homossexuais, uma vez que outros diretores já o fizeram com mais intensidade.

Apesar disso, o filme tem momentos divertidos, especialmente no primeiro ato, como a cena inusitada em que os protagonistas derrubam um bolo gigante, que foi uma das poucas situações absurdas que realmente me fez rir. Mas não da para negar que essa é uma típica cena pastelão e clichê que estaria em uma das novelas da Globo escrita por Silvio de Abreu com direção de Jorge Fernando. É tosca, ultrapassada e fora de tom, mas não deixa de ser divertida.

As atuações também deixam a desejar, com pouca conexão entre o casal. Fica difícil enxergar o amor entre os personagens, pois sempre parece que os atores estão representando, o que é um problema.

Mas o carisma e o charme do ator Taylor Perez (“A Barraca do Beijo”) consegue trazer um pouco de encanto para esses momentos frágeis. Enquanto isso, o ator Nicholas Galitzine (“Continência ao Amor”) é só beleza – ainda que sem sal. Ele é um intérprete mediano, carente de expressividade, e é evidente o empenho que ele emprega ao atuar. No entanto, o mero esforço não assegura uma performance destacada; é fundamental convencer nas situações que exige um pouco da sua dramaticidade cênica.

A atriz Uma Thurman (“Kill Bill”), por ser uma figura conhecida, também se destaca, embora pareça um pouco deslocada.

O ponto positivo é que atualmente existem comédias românticas gays que exploram diferentes facetas, ao contrário do passado em que apenas o lado promíscuo era retratado. Séries como “Heartstopper” e outras produções estão abrindo novos caminhos.

Falando na série original da Netflix, para aqueles que reclamam da falta de representação sexual entre adolescentes, agora têm a opção de assistir a “Vermelho, Branco e Sangue Azul”.

Confira o trailer:

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