Baseado em fatos, “22 de Julho” da Netflix recria o terrível ataque ocorrido na Noruega

“22 de Julho” me deixou devastado! O filme original Netflix (na época em que o streaming realmente se empenha em entregar originais além dos óbvios filmes de algoritmo), é baseado em fatos. O longa recria o terrível ataque ocorrido na Noruega em 2011.

A trama gira em torno de um homem (se é que posso chamá-lo assim) que, por motivações políticas, planeja um atentado explosivo na área dos prédios governamentais em Oslo, a capital norueguesa.

Interpretado pelo ator Anders Danielsen Lie (de “A Pior Pessoa do Mundo”), ele alega ter perpetrado os ataques em nome da proteção do país contra uma suposta “invasão muçulmana”, justificando suas ações como uma resposta à política de imigração favorável ao multiculturalismo. Movido por esse delírio, ele põe em prática um plano sangrento voltado para estudantes e filhos de políticos.

Sob a direção de Paul Greengrass (conhecido pelos ótimos filmes “Voo United 93”, “A Supremacia Bourne” e “O Ultimato Bourne”), o cineasta mais uma vez se empenha em capturar toda a crueza da realidade por meio de movimentos de câmera e cortes abruptos, deixando de lado a sofisticação dos filmes comerciais. Isso torna ainda mais palpável o peso da história real.

O elenco, composto por rostos menos familiares, também contribui para que o público se desvincule da ideia de uma produção fictícia, permitindo uma imersão na situação devastadora da vida real.

O filme apresenta uma atmosfera gélida, não só pelo tempo retratado, mas de um período angustiante para as famílias das vítimas e também para os sobreviventes, os quais carregarão a carnificina do dia 22 de Julho pelo resto de suas vidas.

Não se trata de uma narrativa de fácil digestão. O primeiro ato é explícito ao recontar o dia do atentado, exigindo que o espectador tenha estômago para suportar a crueza com a qual o diretor aborda o ataque à ilha de Utøya.

Assim como em “Voo United 93”, o diretor recria um dos momentos mais aterrorizantes da história, demonstrando que existem indivíduos cruéis capazes de tratar outros como objetos, movidos por suas próprias motivações e preconceitos.

Trata-se de uma história real angustiante, que nos obriga a reconhecer o lado mais sombrio da natureza humana. Ao final, eu estava atordoado e chocado, questionando como é possível a existência de pessoas tão cruéis, desumanas e carentes de empatia pelo próximo. Contudo, indiscutivelmente, é um ótimo filme que merece a atenção daqueles que se interessam por relatos verídicos.

Confira o trailer:

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