“Destinos à Deriva” é mais um caso inexplicável de sucesso da Netflix que fica devendo o essencial

Quando algo alcança um sucesso instantâneo no catálogo da Netflix, é aconselhável manter um certo nível de ceticismo. A menos que seja um filme de outra produtora que tenha conquistado ampla distribuição dentro do serviço de streaming, como foi o caso recente de “Meu Pai”, “Bela Vingança” e “Jogo Justo”.

Entretanto, é lamentável lembrar que esses sucessos, que nos proporcionaram boas histórias e alta qualidade, além de estimular reflexões sobre os temas abordados, frequentemente são mal recebidos pelo público fiel da plataforma. Enquanto isso, “Destinos à Deriva”, que desafia os limites da física e da inteligência humana, é apontado como um excelente entretenimento.

Na trama, Mia (Anna Castillo) é uma mulher grávida que se esconde em um contêiner para fugir de um país totalitário com o marido. Separada dele à força, ela precisa lutar pela sobrevivência quando uma violenta tempestade a atira ao mar. Sozinha e à deriva no meio do oceano, Mia fará o impossível para salvar a vida da filha e reencontrar o companheiro.

Fazia muito tempo que eu não sentia tamanho desprezo por um longa-metragem. Temos aqui um filme que se vende como uma história de sobrevivência e perseverança, mas, na realidade, oferece apenas cenas de seres humanos em situações deploráveis.

Pelo menos “Jogos Mortais” é mais honesto ao se mostrar como um filme de sadismo, sem enganar o público. Enquanto “Destinos à Deriva” leva qualquer pessoa a acreditar que se trata de um filme de sobrevivência, entretanto entrega cenas de mulheres e crianças sendo exterminadas à queima-roupa, ou uma grávida se alimentando da placenta para sobreviver

Compreendo que, em uma situação extrema como essa, as pessoas possam ser submetidas a experiências extremamente desagradáveis, mas o problema de “Destinos à Deriva” não se limita apenas à violência gratuita. Está também na negligência em criar situações minimamente verossímeis que não testem a paciência do espectador.

Sei que, por vezes, apenas buscamos entretenimento descompromissado, e sempre fui um defensor do cinema como uma forma de escapismo. No entanto, até mesmo para essa finalidade, um roteiro deve apresentar um mínimo de lógica e bom senso, pois quando esses elementos são ignorados, qualquer situação envolvendo um protagonista se torna irrelevante, visto que, neste mundo fictício, tudo parece possível.

Não me surpreendeu ao pesquisar a filmografia do diretor Albert Pintó o fato de que o cineasta tem apenas dois filmes de terror mal recebidos pelo público e pela crítica. E o que dizer do roteiro do estreante Ernest Riera? Bem, que ele estude mais sobre roteiro antes de decidir tirar um projeto como este do papel.

Confira o trailer:

🍿 Filme: Destinos à Deriva
📺 Onde assistir: Netflix
Nota: ✱ ✱ (4.0/10) – Ruim
Direção: Albert Pintó
2014 ‧ Thriller ‧ 1h 49m

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