
A esta altura, provavelmente, vocês já ouviram muitas pessoas e críticos elogiando o filme coreano “Oldboy” pelas mesmas razões, e eu poderia seguir esse mesmo caminho, mas para evitar que este texto se torne repetitivo e enfadonho, eu quero explorar caminhos diferentes e compartilhar minha experiência pessoal com o filme.
Não sou um dos maiores entusiastas do cinema coreano, ao contrário da maioria das pessoas. Acredito, inclusive, que tenho mais filmes europeus favoritos do que coreanos. Com base nesse princípio, vocês devem estar imaginando que “Oldboy” deve ter muitos elementos que me conquistaram para se tornar um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, certo? Portanto, vou começar este texto enfatizando todos eles.
Em primeiro lugar, “Oldboy” é um filme de vingança, mas não apenas isso, ele é baseado em quadrinhos, e essa combinação já me faz lembrar de outros dois filmes que adoro: “Kill Bill” (os dois volumes) de Quentin Tarantino e “V de Vingança”, adaptado para as telonas pelas irmãs Wachowski (de “Matrix”).
O fato de ser um filme coreano e adaptado de uma história em quadrinhos já torna este filme de vingança diferente dos outros, mas também excêntrico, visceral e inovador, como “Kill Bill”. Inovador porque toda essa característica é muito mais própria dos quadrinhos do que do cinema, e ver isso na tela é fascinante, pois acredito que permite uma liberdade criativa fora do comum para os diretores no gênero.
O diretor Park Chan-wook consegue retratar esse surrealismo na tela com maestria, mas também une isso a uma trama envolvente e plausível. É uma mistura de conceitos que só funciona quando está nas mãos de um diretor apaixonado e dedicado ao projeto. Isso ficou ainda mais evidente ao assistir ao remake hollywoodiano de Spike Lee, que considero um crime contra a arte. O diretor norte-americano pediu a aprovação do cineasta coreano para adaptar sua própria versão de Park Chan-wook em vez da versão original dos quadrinhos, tornando o resultado final do remake ainda mais repulsivo.

No primeiro ato da versão de Spike Lee, não parecia que o remake seria tão inferior, mas a cada mudança subsequente feita pelo diretor norte americano, isso ficava mais evidente, especialmente quando o vilão interpretado na versão americana por Sharlto Copley ganhava destaque, tornando-se caricato e cafona. Parecia que eu estava assistindo a uma paródia da obra-prima coreana. Apesar do resultado extremamente inferior ao original, já imaginava que seria praticamente impossível adaptar isso para uma versão americana, pois “Oldboy” carrega muito da cultura coreana em sua narrativa. Ao ver como Spike Lee falhou com o remake, penso que a única pessoa competente para ter realizado essa adaptação hollywoodiana teria sido o diretor Quentin Tarantino. Basta olhar o resultado que ele obteve com “Kill Bill”, uma trama ousada que não tinha vergonha de suas raízes originais nos quadrinhos, ao contrário do que Lee fez com “Oldboy”.
Dito isso, posso retornar à razão pela qual além do que me fez gostar tanto de “Oldboy”, acredito que mais pessoas iriam adorar este filme. O filme coreano segue uma premissa bastante intrigante: Dae-Su (Choi Min-sik) é raptado e mantido em cativeiro por 15 anos em um quarto de hotel, sem qualquer contato com o mundo externo. Quando ele é inexplicavelmente solto, descobre que é acusado pela morte de sua esposa e embarca em uma missão obsessiva por vingança.
Imagine ficar preso por 15 anos, sem saber quem o colocou na prisão e qual a motivação que levou alguém a fazer isso? É isso que torna “Oldboy” tão envolvente inicialmente. Mas como se não bastasse, o filme, escrito por Park Chan-Wook e Jo-Yoon Hwang, subverte nossas expectativas a cada novo desenvolvimento e nos choca como nenhum outro filme de vingança com seu enredo surpreendente. Além disso, alguns outros filmes que vieram depois tentaram criar o mesmo impacto narrativo, e alguns até conseguiram porque foram feitos por diretores competentes, mas nenhum deles chegou ao nível de impacto que “Oldboy” alcançou.
Confira o trailer:
🍿 Filme: Oldboy
📺 Onde assistir: Em cinemas selecionados (consulte a programação)
Nota: ✱ ✱ ✱ ✱ ✱ (10/10) – Excelente
Direção: Park Chan-wook
2003 ‧ Mistério/Ação ‧ 2h 12m
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