
“Nefarious” busca explorar a possessão sob uma perspectiva única em comparação com outros filmes do gênero.
Embora a proposta inicial do filme pareça promissora e repleta de potencial, o roteiro adota um caminho que se afasta completamente das expectativas do gênero.
O elemento de terror, inclusive o aspecto psicológico, fica notoriamente ausente à medida que a história se desenvolve.
O filme se transforma em um drama superficial com nuances de propaganda religiosa, que advoga por causas associadas à direita política.
O aspecto mais problemático do roteiro é o uso do protagonista Dr. James Martin (interpretado por Jordan Belfi) como um mero veículo para extrair do personagem Edward Wayne (interpretado por Sean Patrick Flanery) o que é necessário para converter o espectador. Isso frequentemente suscita desconforto, pois sugere que os roteiristas e diretores estão tentando influenciar a audiência a adotar uma religião. Tal abordagem pode ser considerada intrusiva e desrespeitosa em relação à liberdade de crença do espectador.
Se algumas pessoas se sentiram incomodadas com “O Som da Liberdade” devido à sua narrativa que pode ser interpretada como alinhada à direita (não foi o meu caso), o mesmo desconforto seria natural na discussão sobre “Nefarious”, que, ao contrário do filme estrelado por Jim Caviezel, é evidentemente uma propaganda religiosa disfarçada de filme de terror.
O problema é que este filme não se ajusta adequadamente ao gênero de terror, e como drama, deixa a desejar devido a um roteiro fraco que se apoia em diálogos forçados entre dois personagens, tornando a situação entediante a cada minuto.
É lamentável, uma vez que existe um cuidado na produção e uma premissa que poderiam ser explorados e desenvolvidos de forma mais eficaz, em vez de desviarem para uma abordagem de orientação cristã.
Confira o trailer:
🍿 Filme: Nefarious
📺 Onde assistir: Cinema
Nota: ✱ ✱ – (4.0/10) Ruim
Direção: Cary Solomon, Chuck Konzelman
2023 ‧ Terror/Mistério ‧ 1h 38m
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