Nem o Rei do Rock consegue salvar “Priscilla” de Sofia Coppola do marasmo

“Priscilla” é a tentativa da diretora Sofia Coppola (de “Maria Antonieta”) de oferecer uma nova perspectiva sobre a vida de Elvis, agora sob a ótica de Priscilla. A cineasta opta por apresentar a visão da mulher do astro do Rock, embora ele ainda tenha uma importância significativa na trama.

A adolescente Priscilla Beaulieu (Cailee Spaeny) conhece Elvis Presley (Jacob Elordi) em uma festa, e o astro se revela alguém completamente inesperado em momentos íntimos. Priscilla vive uma paixão arrebatadora com o Rei do Rock, ganhando um aliado na solidão e um melhor amigo. Conforme passa o tempo, Priscilla percebe comportamentos agressivos de Elvis.

Quanto à visão tóxica do astro do Rock, se a intenção era mostrar o quão abusivo Elvis era com Priscilla, também há falhas. O texto adaptado do livro e a direção de Sofia Coppola nunca tem a coragem de retratar os abusos com o peso necessário, o que torna a trama ainda mais arrastada e pouco interessante.

Entretanto, há uma clara deficiência no enfoque dado à história do casal. A superficialidade, seja pelo pouco tempo de tela ou pela má utilização dele, faz com que os desentendimentos, que poderiam ter um peso significativo na vida do casal, se tornem brigas sem o impacto emocional necessário. Os personagens carecem de uma química e energia, especialmente por Jacob Elordi (“Saltburn”). Além disso, ambos não transmitem nenhum tipo de paixão que existiu no início do relacionamento.

Apesar de ser injusto comparar o brilhante desempenho de Austin Butler em outro longa-metragem sobre Elvis, a fragilidade na caracterização de Jacob Elordi é evidente, mesmo para quem não assistiu ao filme do diretor Baz Luhrmann (de “Moulin Rouge”). Qualquer pessoa com algum conhecimento sobre Elvis, seja por clipes musicais, filmes, documentários ou outros meios, perceberá o quanto ele ficou distante da figura real.

A atriz Cailee Spaeny não é tão prejudicada, pois, embora interprete uma personagem apática, consegue se distanciar de sua aparência real e encarnar uma figura diferente de si mesma.

A montagem é um dos principais problemas, pois apesar de abranger 10 anos de relacionamento, a transição entre esses anos não é clara. A única ilustração dessa mudança são as alterações no penteado de Elvis, enquanto o restante parece superficial e carente de detalhes.

Caso estejam considerando assistir a “Priscilla”, a única recomendação que faço é para “Priscilla, a Rainha do Deserto”. Fora isso, “Priscilla” de Sofia Coppola é frustrante, já que tenta contar uma história densa sem dar a devida importância aos próprios protagonistas.

A direção de fotografia de Philippe Le Sourd (“O Estranho que Nós Amamos”) é impressionante, porém o restante do filme parece ser apenas uma fachada bonita, mas que deixa um gosto amargo ao ser degustada.

Confira o trailer:

🍿 Filme: Priscilla
📺 Onde assistir: Cinema (consulte a programação)
Nota: ✱ ✱ – (5.0/10) Mediano
Direção: Sofia Coppola
2023 ‧ Romance/Drama ‧ 1h 50m

2 comentários em “Nem o Rei do Rock consegue salvar “Priscilla” de Sofia Coppola do marasmo

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