
Quando foi lançada a comédia romântica “Que Horas Eu Te Pego?”, fiquei entusiasmado com o potencial do gênero se reinventar nesta década e nos brindar com mais ótimas opções para os saudosistas (como eu) de romances leves, que nem sempre oferecem tramas inteligentes, mas nos agraciam com o filme de conforto, que às vezes é tudo o que precisamos.
Ao assistir “Todos, Menos Você”, tive o oposto da sensação que senti com o filme estrelado por Jennifer Lawrence. Isso porque o roteiro da comédia estrelada pela atriz Sydney Sweeney (“Euphoria”) e pelo ator Glen Powell (“Top Gun: Maverick”) não consegue trazer nenhum frescor ao gênero, e ainda replica as mesmas histórias das antigas comédias românticas, que pelo menos tinham o carisma de todo o elenco e situações genuinamente divertidas.
Não que os protagonistas não tenham carisma; na verdade, o casal é a melhor parte do longa dirigido por Will Gluck (“Amizade Colorida”), porque o resto carece de envolvimento. Não há conexão entre o restante do elenco, as linhas de diálogo são ruins, e todos os arcos narrativos são mal construídos e não colaboram em nada com a narrativa central dos pombinhos.
Na trama, Bea (Sydney Sweeney) e Ben (Glen Powell), dois antigos colegas de faculdade, são forçados a conviver quando recebem o convite para o casamento de um amigo em comum. Porém, quando descobrem que seus respectivos ex-namorados também vão à cerimônia, o sdois decidem fingir ser um casal.
Embora a trama seja inspirada na obra “Muito Barulho por Nada” de Shakespeare, seria necessário realizar algumas atualizações, uma vez que a comédia é apresentada como uma história contemporânea. Porém, nada nessa comédia soa novo e original. Nem mesmo o básico é bem aproveitado.
As situações relacionadas aos protagonistas também são extremamente forçadas e não parecem acontecer de maneira natural. Há uma cena em que os dois começam a apalpar a bunda um do outro, literalmente enfiam a mão dentro da calça do outro, que provavelmente o diretor achou que seria a parte mais engraçada do filme, mas pessoalmente achei a mais constrangedora e não de um bom jeito, como seria em uma comédia de constrangimento como em “Missão Madrinha de Casamento”, por exemplo.
Mas nem todas são ruins, algumas conseguem levantar um sorriso pela bobagem absurda como da Sydney Sweeney tendo que olhar naquela direção do corpo de Glen Powell para saber onde estaria a aranha.
Os dramas envolvendo a pressão dos pais para que a personagem de Sydney Sweeney continue na faculdade de direito também são algo que envelheceu mal. A mesma velha história dos pais autoritários que querem o melhor para a filha, decidindo o que ela deve estudar, e não ajudando-a a escolher o que ela ama fazer e acredita ser a escolha da sua vida.
Também há um casamento entre duas mulheres que é praticamente utilizado para tentar modernizar a história e vender como um filme que se preocupa com a representatividade. Se estiverem interessados em assistir a uma boa comédia romântica recente entre duas mulheres, recomendo “Alguém Avisa?” (disponível na Netflix).
Não é que eu esperasse uma história visionária ou que fugisse das convenções do gênero, longe disso. Mas se uma comédia romântica falha na escalação de boa parte do elenco e em outros aspectos técnicos que também não surpreendem, é de se esperar que pelo menos o roteiro seja um pouco inovador para que não soe como uma comédia romântica ultrapassada que repete as mesmas coisas de décadas atrás, só que infinitamente inferior.
Depois de um primeiro ato fraco, quando os protagonistas começam a interagir, o longa ganha um pouco de graça e charme — com exceção de alguns exageros —, graças ao carisma e química de Sydney Sweeney e Glen Powell, que compensam os outros problemas bastante evidentes de falta de criatividade, química de boa parte do elenco e da própria estrutura narrativa que não oferece muito além de situações forçadas e pouco convincentes.
É até estranho mencionar que um dos grandes acertos reside especialmente na cena durante os créditos, quando o elenco está mais à vontade nos bastidores, cantando a música “Unwritten” de Natasha Bedingfield.
Provavelmente, se o diretor tivesse deixado o elenco tão confortável em cena como eles estavam durante esse momento descontraído, talvez a comédia teria fluído melhor e sido um pouco melhor do que foi entregue em “Todos, Menos Você”.
Confira o trailer:
🍿 Filme: Todos, Menos Você (Anyone, But You)
📺 Onde assistir: Cinema
Nota: ✱ ✱ – (5.0/10) Mediano
Direção: Will Gluck
2023 ‧ Comédia/Romance ‧ 1h 43m
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