“Meninas Malvadas” encontra “Glee” e justifica o seu remake após 20 anos do original

Antes de tudo, preciso enfatizar o quanto admiro o longa original de 2004, considerando-o uma obra-prima do gênero teen. Imaginar um remake de “Meninas Malvadas” apenas 20 anos após o lançamento do filme original, que se tornou um clássico, parecia totalmente desnecessário.

Quando o projeto foi anunciado com o mesmo roteiro de Tina Fey (responsável pelo original) e sua participação como a Srta. Norbury novamente, minha confiança no projeto se consolidou, afinal, Tina Fey criou um roteiro que, mesmo sendo utilizado com pouquíssimas mudanças, mostrou-se atemporal.

Para quem não conhece o original, a adolescente Cady Heron (Angourie Rice). foi educada na África por seus pais cientistas. Quando sua família se muda para os subúrbios dos Estados Unidos, Cady começa a frequentar a escola pública e recebe uma rápida introdução às leis de popularidade que dividem seus colegas. Sem querer, ela acaba no meio de um grupo de elite de estudantes apelidadas de “as poderosas”.

Esta nova versão não é mais uma comédia adolescente, mas sim um musical que se inspira na peça da Broadway criada após o sucesso do longa de 2004. Portanto, ao tratar-se de um remake, será impossível uma análise que não se concentre em alguns comparativos entre ambas as obras. “Meninas Malvadas” deste ano não é apenas uma cópia direta do filme estrelado por Rachel McAdams e Lindsay Lohan.

Há um frescor nesta versão, não apenas por apresentar um novo elenco, mas também por incluir canções inéditas neste universo previamente explorado no cinema, juntamente com todo o contexto tecnológico ausente no filme original. Alguns números musicais são ótimos, e as músicas fixam na mente, como ‘World Burn’, que introduz Regina George à trama.

Falando no novo elenco, era quase improvável que a escalação fosse tão boa quanto a do filme original, mas surpreendentemente algumas atrizes conseguiram manter o peso das originais. Um exemplo é Angourie Rice, que nesta versão interpreta a personagem Cady, vivida por Lindsay Lohan na versão original. Outra que se destaca é a atriz e cantora Reneé Rapp, que também fez parte do elenco do musical da Broadway.

Além das protagonistas, a dupla de amigos Damian e Janis, agora interpretada por Auli’i Cravalho e Jaquel Spivey (que está divertidíssimo), também se destacam em cena, superando até mesmo os dois atores do original. Eles tem uma química e naturalidade incríveis em cena.

Minhas únicas decepções com a escalação deste novo elenco ficaram por conta das atrizes Bebe Wood (de “Com Amor, Victor”) e, especialmente, Avantika Vandanapu, que não conseguiu transmitir a naturalidade da ótima Amanda Seyfried, que representava uma burrice genuinamente natural, enquanto Avantika parece forçar ao ponto de se tornar uma caricatura da personagem Karen.

A decisão de Tina Fey de não mexer na base principal o roteiro e manter algumas linhas de diálogos foi um grande acerto. Basicamente poucas mudanças foram feitas nesta nova versão. Meu maior receio quanto a este remake era que houvesse um revisionismo como temos visto ultimamente em filmes, como aconteceu recentemente com Wonka.

No entanto, Tina Fey compreende que, tratando-se de “Meninas Malvadas”, o próprio título sugere uma história sobre meninas más, e ignorar a própria essência da história original descaracterizaria totalmente a obra base. Mesmo que a trama aborde o ambiente tóxico criado por Regina George, as mentiras e intrigas são elementos que tornam a história atemporal. Existe, no final, uma mensagem sobre o valor das coisas verdadeiras, tornando qualquer revisão desnecessária.

Houve alguns cortes e mudanças, como a famosa cena delas dançando ‘Jingle Bells’, que foi alterada por outra música. A cena deletada em que Regina George e Cady conversam no banheiro não foi excluída, tornando o ato final mais explicado.

Atualmente, parece quase obrigatório explicar os motivos por trás das ações amorais e questionáveis dos personagens, algo que sinto falta da época em que os vilões podiam ser maus sem a necessidade de justificar tanto seus atos.

“Meninas Malvadas” encontra “Glee” e prova que musicais nem sempre são enfadonhos, como a maioria do público geral tende a acreditar. Com um bom roteiro e atuações convincentes, as músicas se tornam apenas um momento extra que não tira o brilho do entretenimento garantido de uma comédia teen de qualidade, como é o caso de “Meninas Malvadas” de Tina Fey.

Confira o trailer:

🍿 Filme: Meninas Malvadas (Mean Girls)

📺 Onde assistir: Cinemas
Nota: ✱ ✱ ✱ ✱ – (8.0/10) Ótimo

Direção: Samantha Jayne, Arturo Perez Jr.

2024 ‧ Comédia/Musical ‧ 1h 52m

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