
O terror argentino “O Mal Que Nos Habita” opta por contar uma história que, por muitas vezes, soa extremamente batida. Não é que aqui o gênero se reinventa, mas a direção de Demián Rugna (de “Aterrorizados”) é tão pulsante, especialmente nas cenas que envolvem imagens visualmente impressionantes, que inevitavelmente cria-se uma visão de que este era o grande terror do ano.
Inclusive citando toda a parte gráfica do terror, há uma sequência de um homem imobilizado na cama que imediatamente me fez lembrar do suspense “Seven” de David Fincher. Nessa abordagem específica, o cineasta argentino consegue transmitir de forma impactante o ambiente inóspito e deteriorado, chegando a fazer com que o espectador sinta o odor à distância.
Na trama, quando os irmãos Pedro (Ezequiel Rodríguez) e Jimmy (Demián Salomón) descobrem que uma infecção está se espalhando em uma fazenda próxima, eles tentam expulsar a vítima de suas terras.
Ao não aderirem aos ritos adequados de exorcismo, suas ações imprudentes desencadeiam uma epidemia em toda a comunidade rural. Agora, eles precisam fugir de um mal invasor que corrompe todos aos quais estão expostos e contar com a ajuda de um homem que possui as únicas ferramentas capazes de deter essa força sobrenatural.
O longa, através de uma metáfora, expõe os nossos maiores temores em relação ao que vivemos na pandemia, por exemplo. O próprio diretor revelou que, além disso, os envenenamentos causados por pesticidas nos campos de seu país por grandes empresas agrícolas também foram motivadores para essa história de terror.
O que diferencia este filme de outros do gênero é exatamente como os humanos lidam nessas situações extremas, e não necessariamente focando nas vítimas de um vírus ou de alguma possessão como costumamos ver em outros longas hollywdianos.
“O Mal Que Nos Habita” torna-se apenas um terror bem executado no que diz respeito ao ambiente caótico e de desespero dos personagens, em vez de criar uma história consistente. Se alguém discorda, tenho alguns exemplos de filmes sobre vírus ou possessão que executam melhor essa narrativa.
Claro que citaria o espetacular “O Exorcista”, que não só utiliza a figura da criança possuída, mas também trabalha toda a questão da fé e suas consequências. Ou até mesmo o sul-coreano “O Lamento”, que vai além do desespero e mexe com nossa perspectiva sobre quem é o mal e como nosso pré-julgamento pode nos tornar cegos diante do caos.
Os problemas de “O Mal Que Nos Habita” também são consequência de seu tempo. Com apenas 1 hora e 40 minutos, ao explorar tantos personagens, nenhum deles parece ter alguma camada além do desespero. Sempre me incomoda quando um longa precisa trabalhar com tantos gritos e lamentos para potencializar uma história que, por si só, é extremamente perturbadora. Esse excesso acaba me desprendendo da narrativa, pois soa sempre apelativo.
Ao assistir o sul-coreano “O Lamento”, por exemplo, e ter como comparativo, é perceptível como o diretor argentino busca não apenas através dessas atuações, mas também com a trilha sonora, potencializar o sentido de urgência.
Se por um lado o cineasta argentino consegue fisgar nossa atenção pelo terror gráfico, será necessário um pouco de paciência para aguentar tanta gritaria, choros e histéria coletiva, que muitas vezes se mostra mais presente do que diálogos ricos, e algum desenvolvimento de narrativa.
“O Mal Que Nos Habita” é muito bem executado por sua direção e fotografia sofisticada e atuações convincentes, mas falta uma história melhor construída que não se apoie somente na possessão e nas explicações simplistas que surgem durante a narrativa.
Confira o trailer:
🍿 Filme: O Mal Que Nos Habita (Cuando Acecha La Maldad)
📺 Onde assistir: Dia 1 de Fevereiro nos cinemas
Nota: ✱ ✱ ✱ – (7.0/10) Bom
Direção: Demián Rugna
2023 ‧ Terror ‧ 1h 39m
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