“Ripley” é uma adaptação mais sofisticada de “O Talentoso Ripley”

“O Talentoso Sr. Ripley” é um romance de suspense psicológico escrito por Patricia Highsmith em 1955. Este romance apresenta o personagem de Tom Ripley, que retorna em quatro romances subsequentes.

A obra foi adaptada inúmeras vezes para o cinema, como em “O Sol Por Testemunha”, estrelado por Alain Delon, “O Amigo Americano”, dirigido por Wim Wenders, “O Talentoso Sr. Ripley”, estrelado por Matt Damon, e “O Retorno do Talentoso Sr. Ripley”, estrelado por John Malkovich.

Eu já vi várias dessas adaptações de “O Talentoso Ripley”, da escritora norte-americana Patricia Highsmith. A série de cinco livros ao todo que contam a história do vigarista que aplica golpes; na maioria das adaptações foca no primeiro livro, com exceções dos filmes “O Amigo Americano”, “Ripley: No Limite” e “O Retorno do Talentoso Ripley”, dirigido pela italiana Liliana Cavani e estrelado por Malkovich no papel do trapaceiro anos mais tarde.

Quando foi anunciado que haveria uma série baseada em Ripley, estrelada pelo ator Andrew Scott (de “Fleabag” e “Todos Nós Desconhecidos”), com direção e roteiro adaptado pelo cineasta Steven Zaillian, conhecido por seus trabalhos em filmes como “A Lista de Schindler”, “O Irlandês”, “Millennium: O Homem Que Não Amavam as Mulheres” e “O Gangster”, além de ser o criador da minissérie “The Night Of”, da HBO, eu imediatamente fiquei entusiasmado com a ideia de um cineasta brilhante poder expandir esse universo de todos os livros com sua qualidade no roteiro e direção.

No entanto, nem sempre grandes nomes garantem obras imunes a críticas negativas, e “Ripley” não é exceção. Mas não é um desastre, longe disso. A série consegue nos cativar logo de cara pela belíssima fotografia e direção, que exploram enquadramentos impressionantes e uma paleta de cores em preto e branco que realça os tons, transformando cada momento em uma obra de arte.

Contudo, nos três primeiros episódios, há um grande problema de adaptação e até mesmo de escalação de elenco, e vou destacar esses problemas usando meu conhecimento prévio desta obra, tendo assistido tantas versões.

É quase inadmissível entender por que Steven Zaillian ignorou o estabelecimento da relação entre os personagens Tom Ripley e Dick Greenleaf, considerando que ele tinha 8 episódios em mãos, o que lhe possibilitaria aprofundar ainda mais esse início do que os filmes estrelados por Alain Delon e Matt Damon. No entanto, o que vemos na série são cenas prolongadas para contemplar as paisagens e os movimentos de Ripley indo e vindo com malas, cansado de andar pelas escadarias da Itália, tornando o estabelecimento da relação entre eles fria e pouco convincente.

Porém, logo no quarto episódio, quando a máscara de Tom Ripley já havia caído e o personagem começa a cometer crimes, o ator Andrew Scott consegue transmitir a frieza necessária das ações de Ripley.

Nessa mudança da narrativa, o diretor consegue prender a atenção não apenas pela estética como nos primeiros episódios, mas também pelo tom Noir que remete aos maiores clássicos do suspense dirigidos por Alfred Hitchcock.

Através dos crimes e erros de Ripley, cria-se um sentido de urgência bastante efetivo, onde nos tornamos parte da trama, nos perguntando como ele vai se safar das situações inesperadas, embora aqueles que já tenham conhecimento prévio da história saibam como tudo se desenrola.

Conseguir manter um certo interesse em uma história já conhecida é um feito e tanto para um diretor. É nessa mudança de tom que a série “Ripley” ganha contornos mais intrigantes e interessantes de acompanhar.

Não há confirmação de que “Ripley” se tornará uma minissérie. O próprio criador expressou o desejo de continuar adaptando os próximos livros. Caso isso ocorra, considerando que o ator Andrew Scott se encontrou no papel ao longo dos episódios da primeira temporada, ele poderia interpretar o personagem em uma outra fase, que coincidisse com sua idade real, como visto em “O Amigo Americano” e “O Retorno do Talentoso Ripley”. Isso poderia enriquecer a série, possivelmente tornando-a a melhor adaptação das histórias de Tom Ripley. No entanto, com base apenas nesta primeira temporada, pessoalmente ainda considero o filme de Anthony Minghella como a obra-prima definitiva sobre “O Talentoso Ripley”.

Confira o trailer:

🍿 Filme: Ripley

📺 Onde assistir: Netflix
Nota: ✱✱✱ (7.5) – Muito boa

Direção: Steven Zaillian
2024 ‧ Thriller ‧ 1 temporada

Outro grande problema é que, nos primeiros episódios, Andrew Scott destoa do Ripley no início de sua carreira como trapaceiro. Isso porque o ator interpreta uma versão mais cansada do personagem, pouco impressionado com

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