O que o romance “A Natureza do Amor” tem a nos dizer sobre relacionamentos?

“A Natureza do Amor” é um filme franco-canadense dirigido pela cineasta Monia Chokri. Este romance teve sua estreia no Festival de Cannes e também foi premiado na categoria de Melhor Filme Internacional no prestigiado prêmio César, o mais importante do cinema francês. Entre os indicados estavam o vencedor do Oscar, “Oppenheimer”, de Christopher Nolan, “Dias Perfeitos”, de Wim Wenders, e “Folhas de Outono”, de Aki Kaurismäki.

Na trama, acompanhamos Sophia (Magalie Lépine Blondeau), uma professora de 40 anos que mantém um relacionamento longo, estável e resignado com Xavier (Francis-William Rhéaume). Sua vida é virada de cabeça para baixo ao conhecer Sylvain (Pierre-Yves Cardinal), um carpinteiro rude e charmoso que está reformando sua nova casa de campo.

A partir disso, Sophia questiona seus próprios valores depois de se entregar aos seus impulsos carnais. Os opostos se atraem, mas essa atração pode perdurar?

Pela premissa, posso dizer que se você gostou de filmes como “Pecados Íntimos”, de Todd Field, “A Pior Pessoa do Mundo”, de Joachim Trier, “Shiva Baby”, de Emma Seligman, ou dos clássicos romances sobre Lady Chatterley, esse longa vai te conquistar.

O romance é uma mistura de todos esses conceitos explorados, abordando a liberdade sexual da mulher, bem como suas questões em relação ao amor e ao desejo. Ambos podem coexistir? Essa distinção é trabalhada no roteiro, destacando-se ainda mais quando a protagonista cita as visões de Platão sobre o amor, entre outros filósofos, durante suas aulas.

Enquanto “A Pior Pessoa do Mundo” explora a crise dos 30 anos, “A Natureza do Amor” explora a crise dos 40 anos e como aqueles que tomam decisões muito cedo em suas vidas enfrentam desafios semelhantes. Não é diferente para Sophia, que se casou jovem e com o tempo percebeu que a vida de comodismo não a fazia feliz.

Isso não justifica qualquer traição, pois a protagonista se envolve em outro relacionamento antes de encerrar seu casamento, mas logo nos primeiros minutos do filme, o roteiro evidencia a distância entre o casal protagonista, que dorme em quartos separados. Em um diálogo no qual Sophie pergunta ao marido se ele teria relações sexuais com uma amiga dele, mostrando que a relação havia perdido sua paixão e se tornara apenas amizade.

Inicialmente, não consegui comprar o romance entre Sophie e Sylvain, e naturalmente julguei os atos dela ao trair seu marido antes de terminar o relacionamento.

No entanto, à medida que a história avança, o roteiro começa a justificar as decisões da personagem. Os conflitos internos de Sophie são o cerne da narrativa, e a cada nova decisão da personagem, percebemos o quão perdida ela está em busca de sua verdadeira felicidade, o que se torna tão angustiante para nós, espectadores, quanto para ela mesma.

Embora o filme não seja inovador, a forma como a diretora captura esse relacionamento intenso através de belíssimos enquadramentos e uma fotografia que explora as ambientações com luminosidade cênica o torna único. Somos espectadores dessa relação ardente, mas sob uma lente que nunca deixa o sensual se tornar vulgar, apresentando um olhar feminino sobre o amor e o desejo.

A atuação de Magalie Lépine Blondeau também é um destaque à parte, ela consegue transmitir as dúvidas, excitação, alegria e tristeza de forma tão natural que por vezes parece estarmos observando a vida real de uma mulher atormentada por suas próprias indecisões.

Mas o filme da diretora Monia Chokri não é apenas drama; há momentos em que o humor do constrangimento domina a tela. Portanto, é importante entender que este romance não segue os moldes clássicos, mas oferece uma leitura ousada e moderna.

Mesmo não trazendo algo completamente novo, ele nos mostra que mais uma abordagem sob um novo olhar sempre é bem-vinda, especialmente em uma era que revisita os conceitos clássicos do romance e do desejo com uma perspectiva atualizada que dialoga melhor com nossa geração.

Confira o trailer:

🍿 Filme: A Natureza do Amor (Simple comme Sylvain)

📺 Onde assistir: Nos cinemas
Nota: ✱ ✱ ✱ ✱ – (8.0/10) Ótimo

Direção: Monia Chokri

2023 ‧ Comédia/Romance ‧ 1h 50m

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