
“O Sabor da Vida” é um filme francês dirigido pelo cineasta vietnamita Tran Anh Hong, que venceu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes 2023. O romance estrelado pelo francês Benoît Magimel e pela atriz francesa Juliette Binoche (vencedora do Oscar por “O Paciente Inglês”), foi um dos pré-selecionados da França para concorrer ao Oscar, mas acabou não sendo um dos finalistas.
Toda a sequência inicial consegue nos envolver através da beleza da culinária e dos pratos impressionantes, que vão desde as comidas mais lindas e saborosas até as sobremesas mais impressionantes.
A história acompanha a cozinheira Eugenie (Juliette Binoche) e seu patrão Dodin (Benoît Magimel), que mantem uma paixão ao longo de 20 anos. Esse romance da origem a pratos que impressionam até chefs ilustres. Eles também buscam treinar Pauline (Bonnie Chagneau-Ravoire) de 13 anos como substituta, já que a garota também leva jeito com a vida gastronômica.
Desde o início, sabemos também que Eugenie não esta bem, e isso fica sempre evidente conforme a história avança, mudando o tom inicial e trazendo camadas de maior dramaticidade que crescem progressivamente.
É muito interessante que o filme consegue explorar a culinária e a paixão do casal, da mesma forma que explora a conexão entre eles através dessa paixão mútua que ambos nutrem naquele ambiente acolhedor.
Uma das cenas mais interessantes é quando a personagem de Binoche, antes de se casar, pergunta para Dodin se ele a enxerga como sua cozinheira ou como sua mulher. Quando ele diz que a enxerga como cozinheira, ela fica extremamente feliz! Isso coincide com uma das cenas iniciais, quando os convidados dizem que gostariam da presença dela na mesa, e ela responde que através de seus pratos já fazia parte do jantar. Para ela, seu trabalho é mais importante do que qualquer outra relação, demonstrando seu amor pelo que faz.
A química entre os protagonistas é sublime, e não à toa ambos foram parceiros na vida real. Mas não apenas o desempenho desses atores fabulosos contribui para tornar esse romance extremamente interessante.
O roteiro também assinado por Tran Anh Hung, carrega uma sensibilidade admirável, e através da direção, consegue transmitir um sentido de ternura e reciprocidade entre ambos.
Há momentos de belíssimos enquadramentos que exploram a ambientação com cores vivas; perceba como esses tons mudam para cores mais escuras quando um infortúnio acontece na vida desse casal. Tudo é pensado para que a história se desenvolva através do que o cinema é capaz de fazer: contar uma belíssima história acompanhada de uma experiência audiovisual igualmente bela, tão imersiva ao ponto de sentirmos o cheiro dos ingredientes à distância.
Entretanto, é importante ressaltar que se você é daqueles que reclamam de filmes ou séries com o argumento de que a narrativa é lenta, definitivamente este romance não é para você.
Esta é uma história contada nos moldes clássicos, que se preocupa muito mais em estabelecer os relacionamentos e a ambientação, sem a necessidade de inserir grandes acontecimentos para se destacar de alguma forma.
O mérito do longa é exatamente explorar um relacionamento e a culinária, e o que essas duas coisas têm em comum. O que torna “O Sabor da Vida” tão especial é que, apesar de sua temática, este não é apenas mais um filme sobre o competitivo mundo gastronômico, mas sim sobre a ternura, reciprocidade e o respeito mútuo que a arte de cozinhar pode proporcionar a um casal que compartilha uma paixão em comum.
Também arrisco dizer que, assim como um prato sofisticado não agrada a todos os paladares, um filme sobre gastronomia como este não será do agrado de todos os gostos, especialmente porque precisa ser degustado e apreciado, não digerido por aqueles que esperam algo que corresponda às suas expectativas de gostos pessoais.
Confira o trailer abaixo:
🍿 Filme: O Sabor da Vida (La Passion de Dodin Bouffant)
📺 Onde assistir: Cinema
Nota: ✱ ✱ ✱ ✱ – (8.5/10) Ótimo
Direção: Tran Anh Hung
2023 ‧ Romance/Drama ‧ 2h 16m
Deixe um comentário