
“Guerra Civil”, filme de ação e guerra dirigido por Alex Garland (dos sucessos “Aniquilação”, “Ex Machina”, e do fraco e presunçoso “Men: Faces do Medo”), traz no elenco Kirsten Dunst (“Ataque dos Cães”), Wagner Moura (“Tropa de Elite”), Cailee Spaeny (“Priscilla”) e Jesse Plemons (“Breaking Bad”).
Agora era a oportunidade de Alex Garland se mostrar tão genial quanto demonstrou em seus primeiros trabalhos, repetir o erro de seu último longa, ou permanecer entre os acertos e erros que ele alcançou em sua curta carreira como diretor, e parece que o cineasta optou pela última opção mesmo. Afinal, “Guerra Civil” acerta em algumas questões, mas erra em outras que acabam prejudicando a experiência final do filme.
Ambientado em um futuro não tão distante, quando uma guerra civil se instaura nos Estados Unidos. Neste cenário, uma equipe pioneira de jornalistas de guerra, onde estão Lee (Kirsten Dunst) e seu colega de trabalho Joel (Wagner Moura), viajam para Washington para entrevistar o presidente, mas acabam lidando com uma zona de guerra, onde registram a dimensão e a situação de um cenário violento que tomou as ruas em uma rápida escalada, envolvendo toda a nação. No entanto, o trabalho de registro se transforma em uma guerra de sobrevivência quando eles também se tornam o alvo.
As cenas iniciais buscam situar o espectador nesta guerra civil que está acontecendo nos Estados Unidos, sem fornecer mais respostas sobre como tudo começou, quem iniciou a guerra e por que ela está acontecendo. Essa decisão criativa na busca da neutralidade do diretor causa um estranhamento, pois não sabemos muito sobre o que está acontecendo.
O primeiro ato mostra as diferenças entre a jornalista mais nova e a mais velha, Lee, interpretada por Kirsten Dunst. Mas, nesse momento em que a câmera busca mostrar o choque da garota iniciante nesta área, enquanto Lee se mantém fria tirando fotos, já me causou uma desconfiança da necessidade do diretor de ser tão expositivo para mostrar algo que é óbvio, e que poderia ter sido feito de maneira mais sutil.
Quando um dos primeiros ataques acontece, sentimos a mão habilidosa do diretor em conduzir estas cenas de ação, sempre com muita precisão em mostrar o que realmente acontece, sem criar uma barreira que censure o que de fato acontece numa guerra.
Nesse quesito, a necessidade da exposição gráfica das cenas de violência é efetiva porque fazem parte de um cenário real como retratado no longa. A edição de som é muito eficiente, transmitindo todo aquele sentido de desespero e urgência do que acontece.
O único problema que encontro nessas sequências iniciais da guerra é uma cena em particular, onde, enquanto vemos os tiros e pessoas sendo mortas, a música parece glorificar esses atos, como se o que acontecesse em tela fosse algo vibrante, o que causa uma estranheza e parece fugir do tom. Essas liberdades criativas que buscam trazer uma visão diferente são sempre bem-vindas, desde que sejam convincentes e bem executadas, mas, nesse caso, me pareceu algo mais desalinhado e superficial mesmo.
O ator Wagner Moura tem poucos momentos em que se destaca, trazendo uma atuação mais contida. Não que ele esteja ruim, mas nada que justifique seu protagonismo, até porque o personagem ajuda. O ator também já entregou trabalhos superiores em filmes como “Tropa de Elite” e até mesmo na série “Narcos”. Nem mesmo a atriz Kirsten Dunst faz algo novo, a sua atuação é apenas operante, já a novata Cailee Spaeny faz um bom trabalho.
Quando o personagem de Jesse Plemons (casado na vida real com Kirsten Dunst) surge em cena, é que as coisas esquentam de verdade, graças à atuação dele e de toda a direção, que consegue criar um ritmo que fisga sua atenção pelo risco e pela situação inusitada. Toda essa sequência traz consequências para alguns dos personagens, não é meramente feita para causar choque, ela nos ajuda a entender que a situação é mais grave do que imaginávamos.
O problema é que, depois dessa sequência, “Guerra Civil” volta à superficialidade de sua proposta, buscando mostrar uma guerra sem mais surpresas, e o desfecho é tão anticlimático quanto todo o desenrolar dessa narrativa que acerta mais quando busca ilustrar a beleza em meio ao caos através da belíssima fotografia de Rob Hardy (que trabalhou anteriormente com o diretor em outros longas).
Ainda que seja um mundo distópico e o filme seja claramente uma ficção, o cineasta Alex Garland ainda quer que acreditemos que Texas e California poderiam se unir contra algo. Além de superficial, soa até bobo em certos momentos. Isso só me faz entender por que o diretor disse em entrevistas recentes que vai se aposentar como diretor e focar em escrever roteiros com mais calma. É, deu para entender essa decisão, e eu super apoio.
Confira o trailer:
🍿 Filme: Guerra Civil (Civil War)
📺 Onde assistir: Cinema
Nota: ✱ ✱ – (5.5/10) Regular
Direção: Alex Garland
2024 ‧ Ação/Guerra ‧ 1h 49m
Ambientado em um futuro não tão distante, quando
Deixe um comentário