
“Late Night With The Devil” prova que a temática da possessão pode ser bem explorada ainda nas mãos de cineastas competentes, ao contrário do que vimos em “O Exorcista: O Devoto”.
Ainda que esse longa de terror não se concentre apenas na possessão como sua principal temática, já que também discute sobre sensacionalismo em programas de televisão, cultos e outros escândalos envolvendo essa indústria que faz tudo pela audiência, é evidente o quanto a parte da garota possuída no palco traz o que há de melhor no gênero do terror.
Mesmo que todo o arco da garota em estado de possessão seja usado apenas duas longas cenas, é suficiente para entendermos que a possessão, como vista no clássico “O Exorcista”, não precisa de muitos malabarismos para funcionar. Apenas o básico, sendo reutilizado com uma nova abordagem, pode ser infinitamente mais efetivo do que tentativas frustradas de sequências do filme de William Friedkin.
A história segue um apresentador de um programa de televisão dos anos 70, Jack Delroy (David Dastmalchian), que passa um pesadelo ao receber em seu programa, uma parapsicóloga (Laura Gordon) e a única jovem sobrevivente de um suicídio em massa de um culto, Lilly D’Abo (Ingrid Torelli). A partir desse fato, estranhos acontecimentos no palco vão mudar a vida de Jack Delroy para sempre.
A premissa por si só é extremamente interessante, mas a maneira como o longa busca explorá-la com toda sua estética visual não deixa a desejar, mostrando que não apenas o roteiro tem algo novo para oferecer.
A escolha do estilo found-footage (popularizado em “A Bruxa de Blair”), da tela em 4:3, que remete aos clássicos da década de 70, o figurino e a ambientação do estúdio de televisão que evocam os programas de auditório clássicos da época, também contribuem para toda a imersão.
Além disso, toda a introdução dessa narrativa é eficiente em nos inserir na história do protagonista, no contexto da época e no que estava acontecendo. A contextualização do período e do protagonista é bem conduzida para que o desenrolar da história funcione de maneira natural e traga um peso significativo ao terror que será explorado no decorrer do filme.
No palco, o sensacionalismo está presente o tempo inteiro, fazendo uma sátira direta ao que acontece nos reais programas de televisão, como o próprio programa americano The Tonight Show com o apresentador Johnnny Carson na década de 70, que sempre traziam figuras paranormais para o palco.
O filme não deixa de mostrar tudo o que um real programa de televisão teria, incluindo as vinhetas e os bastidores durante os comerciantes. A própria alusão aos comentários de que todo apresentador famoso vende sua alma ao diabo é um tema que é recorrente explorado no longa dentro dessa narrativa.
Tudo que acontece no programa ganha um peso dramático pertinente quando sabemos o histórico do protagonista, e também de onde surgiu a garota que entra no palco e começa apresentar um comportamento estranho ao olhar para as câmeras com os olhares fixos, esse estranhamento nos cria um medo que é o grande condutor desse terror que apesar de trazer essa temática já explorada antes, ganha um pouco de imprevisibilidade por colocar essa possessão dentro de um programa de televisão.
Meu único problema com “Late Night With The Devil” é o seu encerramento, que soa um pouco apressado. Enquanto no primeiro e segundo ato há uma liberdade de tempo para estabelecer os personagens e o ambiente, a conclusão parece chegar de maneira apressada para encerrar a história. Acredito que com mais tempo de tela, esse desfecho teria sido melhor executado. Mas sua conclusão, no geral, é satisfatória por abrir alguns debates quanto ao encerramento, que foge da previsibilidade, podendo soar até ambíguo para algumas pessoas.
Confira o traler:
🍿 Filme: Late Night With The Devil
📺 Onde assistir: 26 de Setembro nos cinemas do Brasil
Nota: ✱ ✱ ✱ ✱ – (8.0/10) Ótimo
Direção: Cameron Cairnes, Colin Cairnes
2023 ‧ Terror/Comédia ‧ 1h 26m
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