“Herege” desafia o espectador religioso com críticas cruéis

“Herege” é o mais recente filme de terror dos promissores diretores Scott Beck e Bryan Woods, que ganharam destaque em Hollywood após escreverem o roteiro de “Um Lugar Silencioso”. A dupla também fez uma estreia sólida na direção de terror com “A Casa do Terror” (“Haunt”, título original). Depois disso, se aventuraram no gênero de ficção científica com “65 – “Ameaça Pré-Histórica”, mas logo perceberam que o terror ainda era sua maior vocação. Com “Herege”, a dupla se consolida no gênero, entregando um filme provocador que certamente dividirá opiniões.

É importante destacar que “Herege” é mais um daqueles longas que explora a fé e as questões religiosas como pano de fundo para desenvolver sua trama, levando o público a uma crescente tensão e terror psicológico. Se você não se sentiu confortável com filmes como “A Bruxa”, “Santa Maud” e “Mãe!”, é bem provável que “Herege” também não seja do seu gosto, já que ele é ainda mais autoexpositivo e explícito em relação ao tema religioso que permeia a história.

A trama acompanha duas jovens missionárias mórmons em sua jornada de fé e evangelização. Elas acabam sendo capturadas por um homem misterioso, o Sr. Reed (Hugh Grant), que mantém as meninas presas em um ambiente isolado. O que começa como uma simples visita se transforma em um jogo psicológico sombrio e imprevisível, no qual cada decisão das missionárias desafia suas crenças, força de vontade e até mesmo sua sobrevivência.

O papel do vilão é interpretado pelo talentoso Hugh Grant, que, em um de seus papéis mais inusitados, surpreende como um personagem sombrio e enigmático. Conhecido por suas comédias românticas, o ator se revela uma escolha excelente para esse papel, começando como um homem aparentemente solidário e, gradualmente, se transformando em uma figura assustadora à medida que a trama avança.

Além de Grant, as jovens atrizes Sophie Thatcher e Chloe East também se destacam, mostrando grande talento e química no papel das missionárias. A dinâmica entre os personagens, tão bem explorada, é uma das forças do filme, e o confronto entre elas e o vilão ganha contornos intensos à medida que os eventos se desenrolam.

O filme consegue envolver o espectador, pois, à medida que a tensão aumenta, as reações das protagonistas se tornam nossa própria reação, criando uma empatia com as personagens em situações de desespero.

O roteiro é outro ponto forte de “Herege”, pois provoca uma reflexão interessante sobre religião, especialmente por meio do discurso do vilão, que é particularmente impactante. Mais tarde, uma das missionárias contra-argumenta de forma igualmente provocativa, aprofundando o debate e enriquecendo a dinâmica da história.

A direção de Beck e Woods é engenhosa, explorando o ambiente claustrofóbico de maneira criativa. O local onde as jovens estão presas, embora simples, é manipulado de forma a parecer um labirinto, e a forma como a câmera é usada faz com que o espaço pareça maior e mais labiríntico do que realmente é. Os diretores brincam com nossos sentidos, criando um jogo psicológico que mantém o público em constante tensão.

No entanto, o grande problema do filme ocorre na reta final. A dinâmica entre crença e descrença, que até então parecia inovadora, acaba tomando rumos mais previsíveis, típicos do gênero. Embora eu ainda estivesse engajado com a trama, a resolução perde a ousadia do roteiro, optando por um desfecho mais convencional.

O filme, que estava construindo uma atmosfera de grande intensidade, termina com um final que soa mais como uma imposição da distribuidora do que uma escolha criativa dos cineastas. Esse desfecho acaba por enfraquecer todo o impacto acumulado ao longo da história, desapontando no último momento e impedindo que o filme termine de forma memorável.

Confira o trailer:

🍿 Filme: Herege (Heretic)

📺 Onde assistir: Cinemas
Nota: ✱ ✱ ✱ – (7.0/10) Bom
Direção: Scott Beck, Bryan Woods

2024 ‧ Terror/Thriller ‧ 1h 50m

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