“A Mulher no Jardim dispensa sustos gratuitos e aposta no terror psicológico

“A Mulher no Jardim” é o novo terror psicológico da Blumhouse, dirigido por Jaume Collet-Serra, um cineasta versátil que já comandou projetos que curto bastante, como “Águas Rasas”, “A Casa de Cera” e o sucesso “A Orfã”. Ele também esteve por trás do thriller “Bagagem de Risco”, da Netflix, mostrando que sabe transitar bem entre ação, suspense e horror.

Dessa vez, Collet-Serra mergulha no terror psicológico. Então, vale o aviso: quem for ao cinema esperando apenas aqueles sustos clássicos da Blumhouse pode sair um pouco decepcionado. Isso porque o drama ganha muito mais espaço.

O terror só toma corpo de verdade na reta final, mas é conduzido com habilidade, especialmente através do mistério em torno da figura sombria da mulher de preto, que observa a protagonista quase o tempo todo.

Na trama, Ramona fica paralisada pela dor após perder o marido, e agora precisa cuidar sozinha de seus dois filhos. Mas sua tristeza rapidamente se transforma em medo quando uma figura espectral vestida de preto começa a aparecer em seu quintal.

O que chama atenção é que o diretor entende bem as limitações da premissa e não se apoia apenas nela. Ele investe no desenvolvimento do conflito emocional dentro da casa, com essa mãe em luto, tentando dar conta dos filhos em meio à dor. As interações dela com as crianças são essenciais para criar uma base emocional sólida, permitindo que a gente questione a presença dessa figura misteriosa de forma mais íntima e subjetiva. À medida que o enredo avança, o espectador vai conectando os pontos e especulando o que realmente está acontecendo.

O filme lembra obras como “O Babadook” e o recente “Não Solte!”, de Alexandre Aja, especialmente pela maneira como lida com temas delicados ligados à maternidade. Mas acho interessante como “A Mulher no Jardim”, diferente de “Não Solte!”, se aprofunda ainda mais nas dores dessa protagonista. Isso se dá tanto pela direção sensível de Collet-Serra quanto pela atuação poderosa de Danielle Deadwyler, que já tinha se destacado em “Till: A Busca por Justiça”.

Outro destaque é a atriz Okwui Okpokwasili, que dá vida à mulher de preto. Mesmo depois de sua identidade ser revelada, ela continua sustentando aquela atmosfera sombria que paira desde o início do filme.

As duas crianças, que entregam atuações surpreendentemente sensíveis. Elas não são meramente coadjuvantes no luto da mãe, mas peças fundamentais para que o espectador compreenda o peso da perda e o estado emocional da protagonista. Em nenhum momento suas performances soam forçadas ou artificiais, elas reforçam o desconforto crescente da narrativa, com olhares e silêncios que dizem mais do que palavras.

E não dá pra deixar de falar da direção de fotografia de Pawel Pogorzelski (de “Hereditário”, “Midsommar” e “Beau Tem Medo”). É impressionante como ele usa a limitação do espaço da casa a seu favor, explorando luzes e enquadramentos que aumentam a tensão e o senso de urgência. Junto à direção precisa de Collet-Serra, os dois criam uma ambientação claustrofóbica e emocionalmente carregada — cada cômodo tem presença, mesmo que apareça por poucos segundos, o que nos ajuda a criar um vínculo com o espaço e os personagens.

No fim das contas, “A Mulher no Jardim” não é um filme de terror convencional, e talvez por isso divida opiniões. Mas é justamente essa escolha de focar no psicológico, no drama e no ambiente como catalisador do medo, que o torna tão especial. Além disso, aborda temas extremamente delicados que só funcionariam com uma abordagem mais dramática e psicológica, como a proposta aqui.

O cineasta Jaume Collet-Serra entrega um de seus trabalhos mais contidos e maduros, guiado por uma protagonista intensa e uma direção visual impecável. Um filme que assusta menos pelo que mostra e mais pelo que deixa à margem da tela, com um final que vai testar suas teorias sobre o desfecho da história.

Confira o trailer:

🍿 Filme: A Mulher no Jardim (The Woman in The Yard)

📺 Onde assistir: Cinema (dia 8 de Maio)
Nota: ✱ ✱ ✱ – (7.0/10) Muito bom

Direção: Jaume Collet-Serra
2024 ‧ Terror ‧ 1h 25m

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